Rompendo o Silêncio | Crítica
<i>Rompendo o silêncio</i>
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Até que ponto uma mãe chegaria para dar uma vida digna a seu filho deficiente? Em Rompendo o silêncio (Piao liang ma ma, 1999), de Sun Zhou, aprendemos que sacrifícios nunca são demais.
Este é um filme que constrói sua história baseada numa luta sem esperanças e obstinação de uma mãe por garantir um melhor futuro para seu filho. Essa produção chinesa de 1999 também é uma ótima oportunidade para conhecermos um cinema oriental diferente das fitas de artes marciais.
Sun Liying é uma mãe dedicada que gasta todo seu tempo livre tentando educar o filho Zheng Da, que nasceu praticamente surdo e por isso tem enorme dificuldade em falar. A esperança dela é conseguir colocá-lo na escola, para que ele cresça tendo as oportunidades que ela não teve. Com sérias dificuldades para se expressar, Zheng Da não consegue se matricular na escola. Para piorar as coisas, ele tem seu aparelho auditivo destruído numa briga com outros garotos. Sem poder contar com ajuda do marido, um motorista de táxi já vivendo com outra, Sun Liying resolve ocupar seu dia com diversos trabalhos a fim de conseguir o dinheiro para um novo aparelho. Ela leva seu filho junto para os empregos com a intenção de prepará-lo para uma nova tentativa de matrícula na escola.
Acompanhar o dia-a-dia de Sun Liying e Zheng Da é de cortar o coração. Nada é fácil e as dificuldades surgem a cada momento. O filme parece um semi-documentário sobre a classe baixa da China contemporânea. Seu enredo não é inovador e a direção de Sun Zhou apela para os close-ups o tempo todo. E a música de Zhao Jiping incomoda. Ela soa clichê e a todo momento rompe na tela perturbando a cena.
A grande força do filme está na interpretação de Gong Li como Sun Liying. Ela carrega o filme todo com maestria no papel da mãe dedicada. Sua determinação, dignidade e sofrimento tocam o coração. Sua atuação nunca é caricata ou estereotipada, mesmo nos momentos de grande emoção. Mesmo sem maquiagem alguma, sua beleza aparece bastante ressaltada. Gao Xin, que interpreta Zheng Da, sofre da mesma incapacidade que o seu personagem. Sua performance também conquista o público.
Além de emocionar, Rompendo o silêncio também serve como um retrato de um lado da China pouco conhecido. Percebemos que as pessoas estão tão ocupadas tentando sobreviver, que a preocupação com a política é o que menos importa. Vemos camelôs fugindo da polícia, prédios em ruínas, muambeiros com apartamentos repletos de contrabando e a pouca assistência do governo às classes menos favorecidas. O filme mostra que apesar de ter um regime comunista no poder, certos fatores são bem parecidos com o mundo capitalista, onde poucos têm muito e muitos têm pouco.
Rompendo o Silêncio
Piao liang ma ma
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