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Queridinha | Crítica

<i>Queridinha</i>

ÉB
07.10.2004, às 00H00.
Atualizada em 14.11.2016, ÀS 05H02

Queridinha
Petit Chérie

França, 2000
Drama - 106 min.

Direção: Anne Villacèque
Roteiro: Elisabeth Barrière-Marquet e Anne Villacèque

Elenco: Corinne Debonnière, Jonathan Zaccaï, Laurence Février, Patrick Préjean

Se fosse feita uma eleição aqui no Omelete dos filmes mais esquisitos do ano, Queridinha (Petite Chérie, 2000) seria um potencial candidato ao título.

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O arrastadíssimo longa narra a história de Sibylle (Corinne Debonnière), uma feia e tímida mulher de 30 anos de idade. Virgem, ela ainda recebe o boa noite dos pais na cama e vive sonhando com o homem que vai tirá-la dali. Seu refúgio são os romances açucarados que ela lê no trem, no caminho entre o trabalho e sua casa no subúrbio.

É numa dessas viagens que ela conhece Victor (Jonathan Zaccaï), um bonito rapaz de terno azul e camisa riscadinha combinando. Como ele puxa conversa, ela toma coragem e o leva para casa. Quer fazer amor pela primeira vez. O objetivo de Sibylle é adiado pela chegada repentina de seus pais, o que força Victor a fugir pela janela. No entanto, o breve encontro foi suficiente para estabelecer uma estranha ligação entre a feiosa e o misterioso jovem, que no dia seguinte já é apresentado aos pais dela. Não tarda para que os dois estejam casados e morando na mesma casa que os pais da moça.

Porém, a rapidez dos eventos também é espelhada pela mudança de Victor. De promissor marido ideal ele se revela um tremendo chato e um perdedor nato. Não gosta dos móveis do quarto e do carro comprados com o dinheiro do sogro. Também já não cumpre com as "obrigações conjugais", forçando a tonta Sibylle a rebolados desengonçados para conseguir uma ereção. Os dias passam e Victor - ainda com o mesmo terno azul - domina totalmente a apática família, que parece incapaz de qualquer ato para livrar-se do sujeito.

O drama de Anne Villacèque é uma crítica à sufocante sociedade francesa, mas, segundo a diretora, poderia acontecer em qualquer lugar. Sua inspiração veio de uma manchete de jornal, que alardeava um evento semelhante ao único momento verdadeiramente significativo do filme - ocorrido durante os segundos finais - que mostra como a apatia é perigosa, já que esconde sentimentos enterrados que podem irromper de uma só vez com conseqüências imprevistas.

Curiosamente, é possível classificar a produção como uma espécie de anti-Amélie Poulain. Enquanto a personagem de Audrey Tatou vivia tentando mudar o mundo para torná-lo mais feliz, Sibylle aceita impassiva qualquer sina, mesmo que ela tenha controle e forças para resistir.

Enfim, um filme estranhíssimo mas interessante. Pelo menos para escapar da massificada produção que inunda os multiplexes todas as sextas. Ir ao cinema apenas porque a propaganda da TV é boa, ou os astros são bonitos, é tão nocivo quanto a pacata vida de Sibylle.

Nota do Crítico

Bom
Érico Borgo

Queridinha

Petite Chérie

L Drama
Duração: 106 min
Data de lançamento: 31 de maio de 2000
Onde assistir:

Comentários (0)

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Sucesso

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