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Crítica

Plano de Vôo | Crítica

<i>Plano de vôo</i>

Marcelo Forlani
20.10.2005
00h00
Atualizada em
03.11.2016
06h08
Atualizada em 03.11.2016 às 06h08

Plano de Vôo
Flightplan
EUA, 2005
Suspense - 98min

Direção: Robert Schwentke
Roteiro: Billy Ray e Peter A. Dowling

Elenco: Jodie Foster, Peter Sarsgaard, Sean Bean, Marlene Lawston, Kate Beahan, Matthew Bomer, Erika Christensen, Assaf Cohen, Shane Edelman, David A. Farkas, Mary Gallagher, Christopher Gartin

O diretor alemão Robert Schwentke bem que tenta. Logo na primeira cena, ele mostra Kyle (Jodie Foster) sentada na estação de metrô Alexanderplatz, em Berlim, olhando para o nada, perdida. Seu marido chega e eles vão embora. Não demora para entendermos que o cônjuge está, na verdade, morto e que Kyle está sonhando acordada. As imagens e a trilha tentam formar um quadro bonito e enigmático, mas Schwentke claramente não sabe mentir. Agindo de forma lógica e direta, ele não consegue criar um clima realmente poético para este início, e escancara a sua incapacidade de blefar, matando assim qualquer possibilidade de futuramente surpreender o espectador. E isso, para um dito filme de suspense, é praticamente um suicídio.

A trama acompanha Kyle e sua filha entrando no avião e, após algumas cenas, a mãe se desesperando ao perder a menina em pleno vôo Alemanha-Estados Unidos. Para piorar, ninguém da tripulação ou qualquer outro passageiro viu a tal garota e forma-se, então, um clima de dúvida sobre a sanidade mental de Kyle. O que se vê em seguida é a batalha de uma mãe para provar a existência da própria filha e sua tentativa de resgatá-la. Para tanto, ela vai correr, bater, brigar, ser presa e discutir com quem estiver por perto, sejam eles outros passageiros ou o comandante da aeronave.

Diferente da menina (Marlene Lawston), que claramente não sabe atuar e se limita a ler (ou repetir) mecanicamente as falas, Jodie Foster interpreta com a dedicação de sempre. Pena que seu papel seja tão parecido com o que ela própria fez há pouco tempo, em O quarto do pânico (2002), o que diminui o que seria o único mérito da fita.

Mas a verdade é que não há atuação boa suficiente para evitar que Plano de vôo (Flight Plan, 2005) sofra das turbulências de seu roteiro. Simplesmente não dá para acreditar nas situações criadas pelos escritores Peter A. Dowling e Billy Ray. Muitos dirão que "isso é só cinema", mas o mínimo de coerência com a realidade se faz necessário em um filme destes, que pretende se levar a sério mesmo não sendo.

Na sua tentativa de criar um clima de dúvida, um suspense psicológico hitchcockiano, ou então ser claustrofóbico como Por um fio (2003), Schwentke acaba fazendo mais um filme previsível sobre asas. Sua sorte é que no atual contexto anti-terrorista, Plano de vôo consegue levar os norte-americanos ao cinema (após quatro semanas no Top 5, sendo duas delas em primeiro lugar, o filme já arrecadou 70 milhões de dólares, mesmo sendo massacrado pela crítica). Para as pessoas dos outros países, porém, Kyle é o retrato do estadunidense que vota em Bush: egoísta, histérico e capaz de tudo para conseguir seus objetivos.

Nota do Crítico
Ruim