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Nicotina | Crítica

<i>Nicotina</i>

Érico Borgo
16.06.2005
00h00
Atualizada em
15.11.2016
07h03
Atualizada em 15.11.2016 às 07h03

Nicotina
Nicotina
México/Argentina, 2003
Drama - 93 min

Direção: Hugo Rodríguez
Roteiro: Martin Salinas

Elenco: Diego Luna, Marta Belaustegui, Lucas Crespi, Jesús Ochoa, Rafael Inclán, Rosa Maria Bianchi, Daniel Giménez Cacho, Carmen Madrid, Norman Sotolongo, Eugenio Montessoro, José Maria Yazpik, Jorge Zárate, Enoc Leaño

Campeã mundial de palavrões por minuto, a produção mexicana de longas-metragens costuma frequentemente tratar de temas como oportunidade e destino com bom-humor. Nicotina (2003), dirigido pelo argentino Hugo Rodriguez, não foge à regra.

Recheado de humor negro e violência, o filme apresenta histórias que transcorrem paralelamente em tempo real se cruzam ao longo de uma noite na Cidade do México em diversos momentos. Em todas elas o cigarro ocupa um papel de destaque como metáfora para a fraqueza (metade dos personagens quer largar o vício) e um senso de fatalidade (a outra metade sabe que pode morrer com o hábito, mas não liga).

Na trama, Diego Luna (171, E sua mãe também) vive Lolo, um hacker solitário (existe outro tipo?) capaz de entrar em contas em bancos na Suíça, mas completamente despreparado para um relacionamento amoroso. Apaixonado pela vizinha (Marta Belaustegui), ele limita-se a instalar webcams pelo seu apartamento numa obsessão voyeuristica. Lolo está trabalhando para dois criminosos de baixíssimo escalão - um novato (Lucas Crespi) e um veterano ranheta (Jesús Ochoa). O trio espera vender dados de contas bancárias para a Máfia Russa, mas as negociações são típicas de uma comédia de erros. Cada deslize gera outro maior e não tarda para que a confusão acabe envolvendo outras pessoas, como um barbeiro (Rafael Inclán) e sua esposa irritante (Rosa María Bianchi) e um dono de farmácia machista (Daniel Giménez Cacho) e sua sofrida companheira (Carmen Madrid).

O roteiro cheio de reviravoltas e seqüências inusitadas de Martin Salinas prende a atenção, mas é prejudicado pelos excessos gráficos e a fotografia tosquíssima de Marcello Iaccarino - granulada, escura e pouco atraente. Mesmo assim, a produção salva-se como algo digno de nota, afinal, todos os personagens são suficientemente engraçados (o mafioso russo vivido por Norman Sotolongo parece algo saído das histórias em quadrinhos do Tintin) e ela nunca se leva a sério demais.

Mas talvez o ponto mais interessante de Nicotina seja a maneira como o diretor - nitidamente inspirado em Guy Ritchie, Quentin Tarantino e Alejandro Gonzalez Iñarritu (não que ele chegue perto de qualquer um dos três) - conclui sua história. O clímax a distancia dos primos gringos e traz certo frescor "mentolado" ao gênero por esquecer as convenções. Enfim, a nicotina de Hugo Rodriguez não chega a ser digna de um charuto cubano, mas certamente está muito acima de um "Hollywood" qualquer...

Nota do Crítico
Bom