Minha Vida Sem Mim | Crítica
<i>Minha vida sem mim</i>
![]() |
||||
|
||||
![]() |
||||
![]() |
||||
O que você faria se tivesse apenas mais dois meses de vida?
A premissa é batida e parecia já ter sido suficientemente explorada pelo cinema. Entretanto, Minha vida sem mim (My life without me, 2003) revisita o tema com grande sensibilidade e não se apóia no sentimentalismo barato ou nas lições de vida engrandecedoras que geralmente pontuam as produções do gênero.
A protagonista é Ann (Sarah Polley), uma jovem faxineira de uma universidade que leva uma vida difícil. Com duas filhas pequenas pra cuidar - a mais velha nasceu quando ela tinha apenas 17 anos - e um marido desempregado (Scott Speedman), ela é obrigada a viver em um minúsculo trailer estacionado no terreno atrás da casa de sua mãe (Debbie Harry, da banda Blondie), uma mulher amargurada e infeliz.
Depois de um desmaio em casa, Ann faz uma consulta com um médico e descobre que tem uma doença em estágio terminal. Restam-lhe apenas mais dois meses de vida, afirma o tímido médico, incapaz de olhar a moça nos olhos. É exatamente a partir daí que o filme desvia-se do usual: Ann decide esconder o fato de sua família e parte para realizar uma lista de pequenas que nunca fez e que gostaria de experimentar. Nada de grandioso ou memorável. Coisas tão absolutamente comuns e humanas que fica impossível não se relacionar com a personagem. Não há heroísmos. Não há rompantes de compreensão do sentido da vida ou sofrimentos exacerbados. Existe apenas uma jovem colocando sua própria vida, pela primeira vez, como prioridade.
O filme foi produzido pela El Deseo, produtora dos irmãos Agustín e Pedro Almodóvar, e foi dirigido com enorme equilíbrio por Isabel Coixet, uma profissional oriunda do mercado publicitário. A seleção do elenco foi bastante cuidadosa e o resultado é totalmente convincente. Polley (Madrugada dos mortos) atua com sutileza e revela grande talento, Speedman (Underworld) interpreta um marido devotado, Amanda Plummer (Ken Park) faz um ótimo trabalho como uma colega de Ann que vive metida em regimes e Mark Ruffalo (Em carne viva) está em um de seus melhores momentos como um rapaz que a protagonista conhece numa lavanderia.
Mas não pense que só porque Minha vida sem mim não segue a cartilha dos dramalhões que não se trata de um filme essencialmente triste. Esse é o tipo de história capaz de comover qualquer um, por incitar meditações sobre a vida, seu fim, e faz pensar e planejar seu tempo restante. Seja ele dois meses, alguns anos ou décadas. Como se fosse possível calcular algo assim...
Minha Vida Sem Mim
My Life Without Me
Editar comentário
Excluir comentário
Confirmar a exclusão do comentário?



Comentários (0)
Os comentários são moderados e caso viole nossos Termos e Condições de uso, o comentário será excluído. A persistência na violação acarretará em um banimento da sua conta.
Faça login para comentar e avaliar
Compartilhe sua opinião, publique críticas e participe das discussões com a comunidade Omelete.Escrever comentário