Minha Mãe Gosta de Mulher | Crítica
<i>Minha mãe gosta de mulher</i>
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O título Minha mãe gosta de mulher (A mi madre le gustan las mujeres, 2001) é capaz de deixar qualquer um curioso, afinal a idéia de descobrir que sua mãe é lésbica foge dos padrões normais de histórias contadas no cinema, mesmo em se tratando de Espanha - terra de Pedro Almodóvar. Seriam os espanhóis mais avançados e resolvidos em relação à sua sexualidade? Não é o que demonstram as filhas de Sofía (Rosa María Sardà). A revelação acontece no aniversário da matriarca, que se reúne com suas três herdeiras e, ao soprar as velinhas, pede para que elas aceitem e acolham Eliska (Eliska Sirová), sua namorada. A surpresa inicial logo assume a forma de preconceito e até mesmo repúdio, e em poucos minutos lá estão as três pensando em como fazer a mãe desistir da idéia.
Mas engana-se quem desconfia que a trama gira apenas em torno da madre lesbiana e sua novia. Quem mais vai mudar ao longo da jornada é Elvira (Leonor Watilng), a filha do meio. Ela tem um trabalho que odeia, não consegue entregar o livro que escreveu para seu chefe e é insegura a ponto de perguntar ao seu psicólogo todas as questões que passam pela sua cabeça, inclusive sobre a sua própria sexualidade. Elvira é uma típica personagem saída dos filmes de Woody Allen, inspiração declarada das diretoras, e não se parece em nada com suas irmãs. Jimena (María Pujalte), a mais velha, é casada, tem um filho e uma vida planejada. E Sol (Silvia Abascal), a caçula, é uma roqueira porra-louca que só quer beijar na boca e se divertir, evitando qualquer tipo de comprometimento ou seriedade.
Escrito e dirigido por duas mulheres, Daniela Fejerman e Inés Paris, é fácil entender porque os personagens masculinos são rasos e não passam de objetos que servirão ora para aumentar a dificuldade do caminho, ora para mostrar a direção a seguir. Minha mãe não é apenas o longa-metragem de estréia das duas, mas também o primeiro dirigido por mulheres na Espanha e só por isso já merece atenção.
Apesar de não contar com inovações técnicas, o filme também não tropeça, e as atrizes cuidam para que uma idéia que poderia ser simples e repetitiva siga com certa graça até o fim. A trilha sonora criada por Juan Bardem ajuda a criar o clima, principalmente nos momentos extremos de comicidade e drama. Bardem foi responsável por uma das três indicações do filme ao Goya, o maior prêmio do cinema espanhol. As outras foram para Daniela e Inés, como diretoras estreantes, e Leonor Watling, melhor atriz. Watling, grande destaque da fita, esteve nos últimos dois filmes de Almodóvar (Fale com Ela e A Má educação) e é uma das principais novidades do cinema espanhol. Filha de pai espanhol e mãe inglesa (daí seu sobrenome), a menina vem chamando atenção desde que apareceu na TV. Se minha mãe chegasse em casa e dissesse que está apaixonada por ela, eu entenderia. :-)
Minha Mãe Gosta de Mulher
A Mi Madre le Gustan las Mujeres
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