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Crítica

Johnny English | Crítica

O filme é uma seqüência de uma hora e meia de piadas coladas uma na outra

Marcelo Forlani, de Londres
17.04.2003
00h00
Atualizada em
21.09.2014
13h14
Atualizada em 21.09.2014 às 13h14

Leia também as entrevistas com Rowan Atkinson e Natalie Imbruglia.

O nome Rowan Atkinson pode não representar nada para você, mas quando ele é pronunciado a um inglês, logo vêm as memórias e as risadas. Mas muito provalmente você sabe quem é Rowan, mas o conhece com outro nome: Mr. Bean, seu personagem mais famoso ao redor do mundo.

Depois de participar de filmes de qualidade questionável como Scooby-Doo (idem, de Raja Gosnell - 2002) e Tá Todo Mundo Louco (Rat Race, de Jerry Zucker - 2001), Rowan tomou as rédeas de um projeto um pouco mais audacioso, transformar Richard Latham em Johnny English.

Latham foi criado em 1991 para uma campanha publicitária de um cartão de crédito de um banco inglês (Barclaycard, se isso lhe interessa). O sucesso daquele agente secreto que sempre fazia as coisas erradas foi tão grande que os comerciais continuaram sendo produzidos até 1995. Nesta época surgiu a idéia de transformar aqueles filminhos curtos em um longa-metragem. Os roteiristas que começaram a trabalhar no projeto eram Neal Pervis e Robert Wade, os mesmos que escreveram os dois últimos dois filmes da série 007.

Por mais que Rowan não goste muito da comparação, é inevitável traçar paralelos entre Johnny English e James Bond. Os dois trabalham para o serviço secreto britânico, dirigem um Aston Martin e acabam se envolvendo com belas mulheres. E paramos por aí. As gadgets de English não são modernas como as do seu colega. Em vez de serem desenvolvidas e testadas no laboratório de Q com o propósito de serem fatais para os inimigos, as bugigangas usadas por Johnny foram criadas para serem usadas contra você. E o riso é fatal, mesmo naquelas piadas que você consegue prever 5 minutos antes delas acontecerem.

Aliás, o filme é uma seqüência de uma hora e meia de piadas coladas uma na outra. Desde a cena pré-créditos (outra herança do Bond), até o final feliz. A aventura começa quando TODOS os espiões da MI7 são mortos e o único que sobra para tomar conta das jóias da Rainha é Johnny English. Contar que as jóias são roubadas não é estragar a surpresa para ninguém, pois Johnny é tão cheio de si que nada que ele faz acaba dando certo. O plano do vilão, o empresário francês Pascal Sauvage (John Malkovich, num sotaque francês perfeito!), é se tornar o rei da Inglaterra e transformar a ilha num enorme presídio, onde condenados do mundo todo seriam mantidos.

Ok, é uma idéia bem estranha, mas pelo menos é melhor do que aquelas histórias de vilões que querem dominar ou destruir o mundo. O trio Atkinson, Ben Miller (o ajudante Bough) e John Malkovich rende boas cenas e a cantora Natalie Imbruglia, que estréia no cinema, não atrapalha.

Quem gostava das caretas do Mr. Bean, quando o quadro era exibido no Fantástico, vai poder ver o ator interpretando um personagem diferente, mas tão engraçado quanto. Claro que não chega aos pés das produções do grupo Monty Python, mas os ingleses aprovaram. O filme estreou por aqui semana passada em primeiro lugar. (se bem que os ingleses são estranhos... eles colocam leite no chá!)

Nota do Crítico
Ótimo