Gosto de Sangue (Versão dos Diretores) | Crítica
<i>Gosto de Sangue (Versão dos Diretores)</i>
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Desde o início da febre dos DVDs, cada vez mais diretores lançam edições especiais de seus filmes. Muitas vezes alegam que a versão para o cinema não representava sua visão da obra. Outros têm a oportunidade de consertar ou acrescentar cenas para que o público tenha uma melhor compreensão da história. Às vezes, essas versões chegam a aumentar a duração do filme em 40 minutos.
Lançado originalmente em 1984, Gosto de Sangue (Blood simple), dos irmãos Coen, também está ganhando sua versão especial. A diferença é que em vez de aumentar, eles reduziram seu filme.
Nessa "versão dos diretores", Ethan e Joel Coen criaram um pequeno prólogo que tem como função preservar os filmes de valor artístico. O discurso do falso executivo Mortimer Young sobre o cinema independente da época é engraçado e irônico. Passada a brincadeira, Gosto de Sangue conta a história de Marty, dono de um bar no Texas, casado com Abby, que por sua vez é amante de Ray, um empregado do bar. O marido desconfiado contrata então um detetive particular para segui-los e matá-los. A trama converge para um clímax sangrento e surpreendente. Uma história que mistura suspense e humor negro.
Gosto de Sangue marcou a estréia dos irmãos Coen. E, já de cara, eles receberam o Grande Prêmio do Júri no Sundance Film Festival de 1985. Trata-se de uma pequena produção noir com desencontros, trapaças e suposições incorretas em que os personagens não sabem o que está acontecendo até a cena final. Uma deliciosa comédia de erros. Enfim, uma reunião do que os dois irmãos iriam permear em sua carreira.
Tudo é tão perfeitamente construído que lembra Alfred Hitchcock (1899 - 1980). Vários elementos do mestre do suspense aparecem na trama: o homem inocente envolvido num caso de assassinato, as cenas de voyeurismo e até mesmo uma homenagem a Psicose (Psycho, 1960), com um carro em movimento numa chuva torrencial. A trilha sonora de Carter Burwell no sistema THX soa ainda mais misteriosa e aterradora. No elenco, destacam-se Frances McDormand, em seu primeiro papel principal, e M. Emmet Walsh. A química dos dois funciona muito bem, com Walsh nas falas cômicas e McDormand personificando a vulnerabilidade e inocência.
O filme não envelheceu com o tempo. As gordurinhas retiradas deram mais ritmo à narrativa. Assisti-lo remasterizado é uma experiência gratificante e uma oportunidade de entender por que os irmãos Coen são famosos por filmes que dizem muita coisa, mas que no final não significam nada.
Gosto de Sangue
Blood Simple
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