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Crítica

Femme Fatale | Crítica

Criar o clima certo é um dom raro em tempos velozes de videoclipes

Marcelo Hessel
23.01.2003
00h00
Atualizada em
21.09.2014
13h13
Atualizada em 21.09.2014 às 13h13

Não se deixe enganar pelo trailer ultra-veloz, editado de maneira quase incompreensível. O longa-metragem Femme fatale (idem, 2002) não é um exercício de montagem à maneira da MTV, mas um trabalho meticuloso de câmera, enquadramentos, ângulos e planos, típico do diretor Brian De Palma. Responsável por filmes tanto autorais quanto comerciais, como Os Intocáveis (The Untouchables, 1987) e Missão: Impossível (Mission: impossible, 1996), De Palma sempre trata de maneira cuidadosa o seu material, com fé na premissa de que a estética supera em importância o lado narrativo.

O diretor também costuma basear os seus thrillers em armadilhas visuais para quem os assiste, no melhor estilo "as aparências enganam", como em Olhos de Serpente (Snake eyes, 1998). Desse artifício, o personagem vivido por Antonio Banderas é a síntese perfeita - no papel de um paparazzo enganado, o ator sofre as ciladas da mulher do título, a ladra Laure Ash (a sensualíssima Rebecca Romjin-Stamos, escolhida devido à gravidez inesperada da titular Uma Thurman).

Na trama, depois de enganar os seus comparsas e tomar para si o objeto de um roubo, um traje feito com diamantes, Laure foge para Paris e acaba confundida com uma morena recém-falecida. Sem pestanejar, a loira toma o seu lugar e se casa com um diplomata norte-americano (Peter Coyote). Porém, anos depois, graças à intromissão do fotógrafo, Laure tem seu rosto estampado na mídia - e volta a ser perseguida por seus antigos parceiros. A partir daí, prepare-se para as reviravoltas.

Aliás, talvez um dos poucos problemas de Femme Fatale seja o desfecho, entre espelhos e atropelamentos, um tanto burlesco. Deixa a sensação de que o trecho da narrativa passado dentro do sonho é mais plausível do que aquele que se passa na realidade (como assim? sonho? calma, explicar mais estragaria surpresas, confie).

Nada, porém, que tire o mérito do filme. Em meio aos seus dogmas, o diretor também faz questão de sempre reverenciar o mestre Alfred Hitchcock (1899-1980). Aqui, fica explícita a alusão a Janela Indiscreta (Rear Window, 1954) e a Um Corpo que Cai (Vertigo, 1958), por motivos óbvios. Até uma auto-referência pode ser encontrada no roubo da jóia, uma sequência tensa típica de Missão: impossível.

Enfim, se De Palma não prima pela originalidade, ao menos sabe como filmar e criar climas, coisa que hoje em dia, em tempos velozes de videoclipe, é um dom raro. E sinceramente, o colírio das curvas de Rebecca Romjin-Stamos aliviaria até o pior dos filmes.

Femme Fatale
Femme Fatale
Femme Fatale
Femme Fatale

Ano: 2002

País: EUA, França

Classificação: 16 anos

Duração: 115 minutos min

Direção: Brian De Palma

Roteiro: Brian De Palma

Elenco: Rebecca Romijn, Antonio Banderas, Peter Coyote, Rie Rasmussen, Gregg Henry, Eriq Ebouaney, Édouard Montoute, Thierry Frémont, Fiona Curzon, Daniel Milgram, Jean-Marc Minéo, Salvatore Ingoglia, Bart De Palma, Sandrine Bonnaire, Régis Wargnier, Gilles Jacob, Jean Chatel, Eva Darlan

Nota do Crítico
Bom

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