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Escola de Rock | Crítica

<i>Escola de rock</i>

Érico Borgo
12.02.2004
00h00
Atualizada em
21.09.2014
13h15
Atualizada em 21.09.2014 às 13h15

Escola de rock
The School of rock

EUA, 2003
Comédia - 108 min.

Direção: Richard Linklater
Roteiro: Mike White

Elenco
: Jack Black, Mike White,
Joan Cusack, Sarah Silverman, Joey Gaydos Jr., Miranda Cosgrove, Kevin Alexander Clark, Robert Tsai, Maryam Hassan, Rebecca Brown, Caitlin Hale, Aleisha Allen, Brian Falduto,
Zachary Infante, James Hosey.

Antes de mais nada, é preciso deixar claro que Escola de Rock (School of rock, de Richard Linklater, 2003) utiliza uma estrutura das mais batidas na história do cinema. Sente só: professor chega a uma escola de elite, desafia conceitos e acaba mudando a cabeça de seus alunos e do corpo docente. No processo, também torna-se uma pessoa melhor. Quantas vezes vocês já viu um filme assim? Dezenas, não?

Agora, a notícia boa. Apesar de ter essa narrativa batidaça, Escola do Rock merece figurar entre as melhores comédias dos últimos anos. Disparado, o motivo principal é a presença de Jack Black, mais enlouquecido do que nunca, numa paródia de si mesmo. Lembre-se que, além de atuar, Black é o cantor, compositor e guitarrista da Tenacious D, grupo de rock que mantém ao lado de Kyle Gass. O know-how de astro do rock caiu como uma luva para Dewey Finn, o personagem principal de Escola do Rock, cantor, compositor e guitarrista de uma banda chamada No Vacancy. Porém, a diferença entre os dois é que Finn, apesar de talentoso, é um tremendo perdedor e acaba expulso de sua própria banda por excesso de estrelismo.

Sem dinheiro para pagar o aluguel, o músico do filme decide passar-se pelo seu colega de quarto (Mike White), um professor substituto de escola primária. Assim, ele consegue um bom emprego ensinando alunos da quarta série de uma prestigiada e caríssima escola particular. No início, Finn simplesmente enrola durante as aulas, dando intervalos de cinco horas para os alunos. Porém, acaba descobrindo que a molecada têm aulas de música clássica e que são excelentes instrumentistas. Pouco tempo depois, já está ensinando o "bom e velho rock´n´roll" - de Led Zeppelin a White Stripes! -, de olho no primeiro prêmio da Batalha das Bandas, um importante festival de rock que acontece na cidade. Mas como esconder a "atividade extra-curricular" da escola e dos pais de alunos?

É engraçado notar também como Dewey Finn se parece com o Barry, personagem de Black em Alta fidelidade (High Fidelity, 2000). É como se Alta fidelidade terminasse e Barry tivesse ido tentar a sorte com sua nova banda... aliás, até o apartamento de Escola de Rock parece o de Rob Gordon (John Cusack) no filme de Stephen Frears... concidência? Duvido muito.

Lições para o público

Além de Black, os produtores também foram muito felizes no elenco de apoio. Todas as crianças, apesar de não serem atores profissionais, são excelentes e parecem estar se divertindo muito no filme. Vale destacar que todas elas realmente tocam seus instrumentos e algumas, como seus personagens, tiveram que aprender o que é o rock e como tocá-lo, já que tinham apenas formação clássica. Completam o elenco principal Joan Cussack (mais uma de Alta fidelidade), Mike White (que também assina o roteiro, criado sob medida para Black) e Sarah Silverman (Evolução).

Pra completar a bem-orquestrada sinfonia rock´n´roll, o filme ainda traz um engraçadíssima crítica às bandinhas pop/rock "poser" de hoje em dia, endeusadas pelos mais jovens que, como a criançada do filme, ainda precisam aprender muuuuuito sobre o gênero. Felizmente, Escola do Rock tem todas as aulas necessárias para um currículo básico no assunto.