Filmes

Crítica

Efeito Borboleta | Crítica

<i>Efeito borboleta</i>

Marcelo Forlani
22.07.2004, às 00H00
ATUALIZADA EM 21.09.2014, ÀS 13H16
ATUALIZADA EM 21.09.2014, ÀS 13H16

Efeito borboleta
The butterfly effect

EUA, 2004
Suspense - 113 min.

Direção: Eric Bress, J. Mackye Gruber
Roteiro: J. Mackye Gruber e Eric Bress

Elenco: Ashton Kutcher, Melora Walters, Amy Smart, Elden Henson, William Lee Scott, John Patrick Amedori, Irene Gorovaia, Kevin Schmidt, Jesse James

Christopher Ashton Kutcher é um exemplo do sonho americano. Era um pobre estudante de engenharia bioquímica que literalmente limpava o chão de uma fábrica na sua cidade natal quando se tornou um modelo. Conseguiu sua passagem para sair dali e entrar em Nova York pela porta da frente. Em 1997, fez teste para uma série de TV chamada Wind on Water e conseguiu o papel. Mas quando leu o roteiro, não gostou do que viu (sim, primeiro ele fez o teste e conseguiu o trabalho, depois foi ver o que ele ia fazer). Foi tentar a sorte, então, num outro programa, chamado Teenage Wasteland, e também conseguiu a vaga. Enquanto a sitcom escolhida por ele foi rebatizada para That 70´s show e virou um enorme sucesso, a série preterida naufragou depois de dois episódios. No papel de Michael Kelso, Kutcher faz o papel do bonito-burro. Não. Bonito-muito-burro! E foi este o perfil dos personagens que o levaram da telinha para a telona, como em Cara, cadê meu carro? (Dude, where´s my car, de Danny Leiner - 2000), Recém-casados (Just Married, de Shawn Levy - 2003) e A noiva do chefe (My boss´s Daughter, de David Zucker - 2003).

No meio de 2002, enquanto That 70´s show estava de férias, Kutcher deixou o Kelso descansando também para encarar seu primeiro papel sério. O projeto se chamava Butterfly effect e tinha o estreante Eric Bress co-dirigindo ao lado do inexperiente J. Mackye Gruber. O trabalho mais conhecido desta dupla até então era o roteiro de Premonição 2 (Final Destination 2 - 2003). Antes da estréia de Efeito Borboleta nos cinemas americanos, Kutcher se envolveu em duas enrascadas. Primeiro, foi dispensado das filmagens de A Vila (The Village), novo filme de M. Night Shyamalan porque seu namoro com Demi Moore chamava muita atenção da mídia. Depois, resolveu sair do elenco do novo filme de Cameron Crowe, Elizabethtown, alegando "conflito de agendas" logo após o diretor de Quase famosos (Almost Famous - 2000) e Jerry Maguire (1996) dizer que ele não sabia atuar (leia mais).

E foi com esta desconfiança que Efeito borboleta entrou em cartaz nos Estados Unidos em janeiro - mês de filmes geralmente fracos. Contra ele, apenas outra estréia, Win a Date with Tad Hamilton! (de Robert Luketic), coincidentemente estrelada por Topher Grace, o Eric Forman de That 70´s show. Ficou em primeiro, mesmo recebendo incontáveis críticas negativas à história e, principalmente, à atuação de Kutcher.

Efeito Gillette

Não adianta, alguns personagens são tão fortes que seus atores acabam sendo engolidos por eles. É o caso de Mark Hamil, que pode até ganhar o Oscar um dia, mas será sempre o Luke Skywalker. E a lista vai longe, de Christopher "Superman" Reeve, a Tom "Magnun" Selleck, passando por Erik "Poncherello" Estrada e Linda "Mulher-Maravilha" Carter. É o que podemos chamar de "Efeito Gillette", ou seja, quando uma marca (Gillette) se torna sinônimo do produto (lâmina de barbear). E assim como acontecia com antiga lâmina de barbear usada pelo seu avô, esta fama pode cortar para os dois lados e todo o reconhecimento conseguido em um trabalho pode acabar petrificando sua carreira. E pronto, descobrimos um dos problemas de Efeito Borboleta. Por mais diferente que seja o personagem escolhido, muitas pessoas sempre vão associar Kutcher ao Kelso e vice-versa. No início do filme, quando Evan Treborn (Kutcher) está se escondendo em um hospital, os desengonçados 1,91 m do ator são os mesmos do jovem imbecil do interior de Winsconsin que ele interpreta na telinha. Mas estamos falando de cenas isoladas, em outras situações, é possível ver que Kutcher estava se esforçando para fazer algo diferenciado.

O outro problema, este sim mais grave, é o roteiro, excessivamente pretensioso. A idéia é boa, mas não inédita. Segundo explica-se no filme, na moderna teoria do caos, uma batida de asas de uma borboleta em Nova York pode causar um tufão em Tóquio, ou seja, é a velha lei de ação e reação de Newton revista e amplificada. Neste caso, Treborn é um pivô dos vórtices temporais. Seus problemas começaram na infância. Quando ele sofria traumas sérios, seu subconsciente tratava de apagar o que havia acontecido, não deixando lembrança alguma do fato ao menino. Após anos de terapia e a ajuda de um diário, estes brancos deixam de acontecer. A única coisa que ele não se esquece é o amor pela ex-vizinha, Kayleigh Miller (Amy Smart) e por isso resolve voltar à cidade onde cresceram para revê-la. O reencontro não sai como esperado e traz de volta problemas enterrados. Para tentar solucioná-los, Treborn começa a reler suas memórias, para voltar à sua infância e, quem sabe, finalmente entender o que aconteceu. A partir deste momento, o filme começa a dar várias reviravoltas. A primeira é boa e leva a uma saída inesperada. A segunda é interessante, mas depois da terceira, parece que os roteiristas/diretores se perderam junto com seu protagonista e não sabiam mais como acabar com aquele sofrimento, dos personagens e da audiência.

Assim, o filme que tinha condições de se tornar uma boa obra cult, como fizeram Donnie Darko, Eclipse Mortal e O Cubo, acaba sendo apenas um bom filme de ficção científica com viés psicológico. E podem procurar outro para botar a culpa, porque desta vez Kutcher é inocente.

Jesse James (1939)
Jesse James
Jesse James (1939)
Jesse James

Ano: 1939

País: EUA

Classificação: LIVRE

Duração: 106 min

Direção: Henry King

Elenco: Tyrone Power, Henry Fonda, Nancy Kelly, Randolph Scott, Henry Hull, Slim Summerville, J. Edward Bromberg, Brian Donlevy, John Carradine, Donald Meek, Johnny Russell, Jane Darwell, Charles Tannen, Claire Du Brey, Charles Middleton, Lon Chaney, Jr., Willard Robertson, Harold Goodwin, Ernest Whitman, Eddy Waller, Paul E. Burns, Spencer Charters, Arthur Aylesworth, Charles Halton, George Chandler, Harry Tyler, Virginia Brissac, Edward LeSaint, John Elliotte, Erville Alderson, George P. Breakston, Carol Adams, Donald Douglas, James Flavin, Sam Garrett, Wylie Grant, Harry Holman, Kenner G. Kemp, Leonard Kibrick, Sidney Kibrick, Ethan Laidlaw, Tom London, George O'Hara, Paul Sutton

Nota do Crítico
Bom

Ao continuar navegando, declaro que estou ciente e concordo com a Política de Privacidade bem como manifesto o consentimento quanto ao fornecimento e tratamento dos dados e cookies para as finalidades ali constantes.