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Dogville | Crítica

<i>Dogville</i>

Marcelo Forlani
15.01.2004
01h00
Atualizada em
21.09.2014
13h14
Atualizada em 21.09.2014 às 13h14

Dogville, 2003
Dinamarca/Suécia/EUA/
Noruega/Holanda/Itália/
Finlândia/Alemanha/
Japão/França/Inglaterra
Drama - 177 min.
Direção: Lars von Trier
Roteiro: Lars von Trier

Elenco: Nicole Kidman, Harriet Andersson, Lauren Bacall, Jean-Marc Barr, Paul Bettany, Blair Brown, James Caan, Patricia Clarkson, Jeremy Davies, Ben Gazzara, Philip Baker Hall

Ao criar o movimento Dogma 95, Lars von Trier e seus amigos conseguiram chamar a atenção do mundo com filmes mal iluminados, sem trilha sonora, com imagens tremidas e outras excentricidades. Como até hoje nao foi desenvolvido nenhum filme que siga à risca (ao mesmo tempo) TODAS as regras propostas, alguns estudiosos do cinema defendem que o movimento não passa de um golpe de marketing, para tornar seus autores famosos.

Sem querer julgar ninguém, o fato é que von Trier chegou a Cannes em 1996 chamando a atenção com Ondas do destino (Breaking the Waves) e saiu do balneário francês em 2000 segurando a Palma de Ouro por Dançando no escuro (Dancing in the Dark). Este ano, o circo estava todo montado para que a cena se repetisse. Mas o dinamarquês chegou como favorito e saiu de maõs abanando.

Problema? Nem tanto, o barulho em torno de Dogville já era bem alto. E não é para menos. A história se passa numa imaginária cidade americana chamada Dogville. Imaginária no sentido literal da palavra, pois as paredes, portas e janelas das casas não passam de riscos no chão (bem ao estilo daquela musica infantil "era uma casa, muito engraçada, não tinha teto, nao tinha nada").

É neste "cenário" que Grace (Nicole Kidman) chega foragida, com um grupo de mafiosos no seu encalço. Tom (Paul Bettany), decide acolhê-la e parte numa campanha para convencer o resto dos moradores de sua idéia. Como moeda de troca, ele sugere que ela ajude os moradores, que afinal estavam arriscando suas pacatas vidas. A loira aceita o trabalho e em pouco tempo Dogville e seus cidadãos melhoram visivelmente de estilo de vida. Mas com o tempo, o sonho de liberdade da loira acaba se tornando um pesadelo.

Tempo ao tempo

Dividido em nove partes mais um prólogo, Dogville dura quase três horas, o que foi considerado um exagero por muitos. Com medo de não conseguir entrar no gigante mercado americano, foi desenvolvida uma versão "light", com algo em torno de duas horas. É verdade que os 177 minutos exibidos na França sao exagerados, mas as fortes atuações, a trilha sonora e a iluminação estão tão bem amarrados que o tempo quase passa rápido.

Se existe uma palavra para descrever von Trier, é pretensioso. Afinal, só assim para explicar que ele quer fazer de Dogville o primeiro filme de uma trilogia sobre o Estados Unidos. Detalhe: o diretor morre de medo de andar de avião e nunca foi à terra de George W. Bush.