Djomeh | Crítica
<i>Djomeh </i>
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Hassan Yektapanah, o diretor de Djomeh (Irã, 2000), tem em seu currículo trabalhos como assistente de direção de dois grandes cineastas iranianos: Abbas Kiarostami (Dez) e Jafar Panahi (Ouro Carmin, Baran), respectivamente em Gosto de cereja e O espelho, ambos de 1997. A experiência surge óbvia logo nos primeiros minutos do seu longa-metragem de debute. Tanto no visual quanto na estrutura neo-realista, Djomeh é imediatamente reconhecível como algo inspirado pela safra dos anos 1990 do cinema iraniano.
Está tudo ali: a pequena e poeirenta vila no Irã, a preocupação social (aqui o problema evocado é o preconceito aos afegãos no Irã), longos diálogos e planos mostrando poéticos e áridos cenários. Mas as inevitáveis comparações não prejudicam o filme, que evoca os mestres mas resulta suficientemente novo para que mereça uma análise.
Dentre os elementos mais interessantes da produção está a câmera essencialmente estática de Yektapanah, que busca nas tarefas cotidianas de um trabalhador o meio para contar sua história. Na repetição e nos tempos mortos, o diretor evoca o surgimento de uma idéia e seu lento desenvolvimento. Nos sutis percalços, a mudança de atitude e a resignação do protagonista.
O filme acompanha um jovem afegão chamado Djomeh. Ele trabalha em uma fazenda no interior do Irã e todas as manhãs acompanha o dono da fazenda às aldeias locais para comprar leite que será revendido. Diferente de seu colega e protetor Habib, o rapaz não se deixa reprimir pelo fato de ser estrangeiro. Está sempre sorrindo e fala abertamente, mesmo diante do olhar desconfiado e frio dos moradores da região. Mas essa espontaneidade de Djomeh fará com que ele cruze as barreiras sociais e cometa novamente o mesmo erro que o levou a ter que ir morar naquele remoto lugar: uma paixão proibida.
Yektapanah dividiu com seu conterrâneo Bahman Ghobadi (Tempo de embebedar cavalos) a Camera DOr, prêmio para diretor estreante, em Cannes 2000. Em última instância, este trabalho também é motivo de piada aqui no Omelete, já que causou o primeiro e único sonho iraniano do autor desta crítica. Nesse longa-metragem onírico - rebatizado "Djomérico" -, a cena final do drama foi cuidadosamente adaptada para as dependências da minha casa e uma vaca malhada fujona devidamente substituída pelo meu cachorro. Se a informação parece totalmente irrelevante é porque realmente é, mas tivemos um desejo infame de partilhá-la com nossos leitores... esperamos que você nos perdoe algum dia.
Djomeh
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