Idiotas é uma comédia chapada que exagera demais para o seu bem
Elenco se esforça para segurar um filme sem grandes propósitos
Uma dupla desengonçada precisa levar um passageiro problemático de um ponto A a um ponto B, e no caminho tudo dá errado. A premissa de Idiotas não é nova, e o filme de Macon Blair sabe disso: bebe abertamente da fórmula de comédias de chapados como Harold & Kumar e do clássico Cheech & Chong, com uma pitada da dinâmica de dupla desencontrada que 48 Horas, com Nick Nolte e Eddie Murphy, ajudou a consolidar no cinema americano. O problema é que reconhecer as referências não é o mesmo que superá-las, e é justamente aí que Idiotas tropeça.
Mark (Dave Franco) e Davis (O'Shea Jackson Jr.) formam uma dupla com química perceptível na tela, mas que nunca chega a surpreender. Franco garante boa parte das risadas, como sempre, só que passa o filme inteiro interpretando uma versão reconhecível de si mesmo, algo que começa a pesar mesmo para quem acompanha sua carreira e sabe do que ele é capaz. Falta uma variação de registro que tire o ator do piloto automático, e a sensação é a de assistir a um trabalho competente, mas repetitivo.
Sheridan (Mason Thames), o adolescente rico que os dois precisam escoltar até a reabilitação, é onde Macon Blair tenta inserir uma camada de crítica social ao filme. A ideia de colocar personagens vulneráveis numa jornada guiada pelos caprichos de um garoto privilegiado tinha potencial para expor contrastes de classe de forma afiada. Só que o roteiro não sustenta essa ironia. Ao tentar transformar Sheridan num símbolo do "burguês mimado", Blair acaba escrevendo um quase vilão intocável, blindado o tempo todo pelo dinheiro e pelos privilégios da família, sem que o filme questione essa blindagem com a mesma esperteza com que a apresenta. A crítica fica na superfície, mais sugerida do que de fato desenvolvida.
O maior problema de Idiotas, porém, está na condução do humor. A trama se apoia num formato episódico, empilhando desvios, encontros bizarros e decisões cada vez piores dos protagonistas, mas a escalada de caos prioriza volume no lugar de invenção. As situações vão ficando maiores e mais absurdas, só que o nível da comédia não acompanha esse crescimento. É como se o filme acreditasse que ultrapassar limites de bom gosto já bastasse para gerar riso, quando na verdade só entrega mais do mesmo em doses crescentes.
O desfecho reforça essa sensação de oportunidade desperdiçada. Depois de tanta confusão acumulada ao longo da viagem, o final não escolhe nenhum caminho ousado: não surpreende, não choca, não fecha as pontas de forma particularmente inteligente. Simplesmente encerra, como se a intenção fosse apenas não incomodar demais quem chegou até ali.
Idiotas tem elenco disposto, uma premissa com potencial de crítica social e momentos pontuais que arrancam risada. Mas o excesso como estratégia central de humor, somado a um roteiro que timidamente aponta para uma sátira que nunca se concretiza, deixa a sensação de um filme regular, esquecível diante do que poderia ter sido.
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