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Crítica

Confidence - O Golpe Perfeito | Crítica

<i>Confidence - O golpe perfeito</i>

Marcelo Hessel
19.02.2004
00h00
Atualizada em
13.11.2016
12h04
Atualizada em 13.11.2016 às 12h04

Confidence - O golpe perfeito
Confidence,
2003
EUA, Canadá, Alemanha
Policial - 97 min.

Direção: James Foley
Roteiro: Doug Jung

Elenco
: Dustin Hoffman, Edward Burns, Rachel Weisz, Andy Garcia, Paul Giamatti.

Não tem erro.

Famoso subgênero dentro do Policial, o filme de assalto sempre cativa a audiência. Compartilhar a vitória do ladrão simpático contra o magnata inescrupuloso, o dono do cassino ou o chefão da máfia, torna-nos menos bobos, mais malandros, mais felizes. Não à toa, as produções do gênero aumentaram exponencialmente nestes tempos cínicos, individualistas e selvagens em que vivemos.

Neste contexto, pouco importa a qualidade ou a originalidade. Exemplares medíocres como Confidence - O golpe perfeito (2003), de James Foley, provam que a fórmula consagrada, mesmo desbotada, ainda é mais do que eficiente.

Não falta clichê nenhum. Estão ali o misterioso chefão de hábitos exóticos (Dustin Hoffman) que enxerga um novo talento do crime no escroque galã (Edward Burns), os brutamontes facilmente engabelados pelas reviravoltas do escroque galã, a mulher fatal (Rachel Weisz) que facilmente se apaixona pela grosseria do escroque galã, o agente federal de hábitos exóticos (Andy Garcia) que não se cansa de ser enganado pelo escroque galã... tudo permeado por uma trilha sonora bacana, misturado em montagem ligeira, não-linear, visando demonstrar o maior chavão de todos, o gooooolpe perfeito.

Por mais que Burns seja um canastrão à altura do personagem (precisa fazer bico toda vez que solta uma frase de efeito?), por mais que os golpes sejam triviais (que tipo de alto executivo se deixa seduzir por uma desconhecida chupando um morango?), por mais que os desfechos sejam implausíveis (que tipo de mafioso deixa o seu Q.G. e se arrisca num imbróglio em plena luz do dia?), o filme transcorre sem percalços maiores. Não fosse o colírio Weisz ou o talento Hoffman, seria mais difícil. Ao final, já sabemos como tudo se encaixa, mas isso não importa. É a sedução da bandidagem falando mais alto que o bom senso.