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Crítica

Como se Fosse a Primeira Vez | Crítica

<i>Como se fosse a primeira vez</i>

Érico Borgo
29.04.2004
00h00
Atualizada em
07.11.2016
03h06
Atualizada em 07.11.2016 às 03h06

Como se fosse a primeira vez
50 first date
s
EUA, 2004 - 99 min.
Comédia romântica

Direção: Peter Segal
Roteiro:
George Wing

Elenco: Adam Sandler. Drew Barrymore. Rob Schneider, Sean Astin, Lusia Strus, Dan Aykroyd, Amy Hill, Allen Covert, Blake Clark, Maya Rudolph

Dá pra desconfiar da qualidade de um filme quando sua distribuidora decide colocá-lo como um "bônus" depois da exibição do novo trailer de Homem-Aranha 2. Foi exatamente esse o caso com Como se fosse a primeira vez (50 First Dates, de Peter Segal - 2004), o novo filme de Adam Sandler e Drew Barrymore. Pra piorar, metade dos jornalistas presentes saíram da sala logo depois da prévia do aracnídeo...

Porém, quem ficou teve uma surpresa: apesar da estratégia duvidosa, a comédia romântica funciona e certamente terá apelo junto ao grande público. Prova disso é o enorme sucesso da produção nos Estados Unidos, onde o filme teve a segunda maior estréia (41 milhões de dólares) de todos os tempos em fevereiro, atrás apenas de Hannibal (58 milhões em 2001).

Claro que bilheteria não é sinal de qualidade e falar mal do trabalho de Adam Sandler é passatempo aqui no Omelete, mas dessa vez não dá pra comparar o filme aos trabalhos anteriores do comediante. Sandler está mais terno, mais contido, lembrando mais o Barry Egan - seu personagem no ótimo Embriagado de amor (Punch Drunk Love, de P.T. Anderson) - do que os paspalhões raivosos dos execráveis Little Nicky ou O paizão. Até as escatologias são deixadas de lado aqui... a única cena de vômito do filme é protagonizada por uma enorme morsa e não pelo ator. ;-)

A história começa com Henry Roth (Sandler), um biólogo marinho no paradisíaco Havaí, que nas horas vagas é um verdadeiro especialista em entreter turistas em busca de emoção e aventuras sexuais. A prática é conveniente para Roth, pois as breves amantes sempre têm passagens marcadas de volta e ele tem verdadeira fobia em assumir compromissos. Entretanto, certo dia Roth conhece Lucy Whitmore (Barrymore) num café e apaixona-se. O problema é que ela sofre de perda de memória temporária e nunca se recorda do dia anterior. Assim, o calejado sedutor precisa descobrir todos os dias uma maneira diferente de conquistar a garota, além de ter que enfrentar o superprotetor pai e o bombado irmão dela.

Como se fosse um Feitiço do tempo

Seria uma idéia bastante original, não fosse um ENORME detalhe (e não estou falando do orgão sexual da morsa, o segundo maior entre todos os mamíferos): é impossível não comparar Como se fosse a primeira vez ao excepcional Feitiço do tempo (Groundhog Day, de Harold Ramis, 1993). Obviamente, George Wing - o roteirista da produção mais recente -, inspirou-se no filme de Ramis para criar a sua comédia. A premissa é simplesmente parecida demais e a semelhança com o filme de 1993, estrelado por Bill Murray, tira qualquer relevância que a nova fita poderia ter.

Claro que, apesar da cópia descarada da premissa, o tom da nova fita segue uma estrutura de comédia romântica convencional e isso segura tudo no lugar até o desfecho. As piadas são boas e as atuações hilárias. Sean Astin (o Sam de O Senhor dos Anéis), como o anabolizado irmão de Lucy, está incrivelmente engraçado e Rob Schneider (Garota veneno), colaborador frequente de Sandler, garante alguns dos melhores momentos da comédia (acredite se quiser!) interpretando o havaiano Ula.

Enfim, um filminho leve, meio bobo, mas tão inofensivo e simpático que deve ser capaz de fazer até o cinéfilo mais turrão esboçar algum sorriso.

Feitiço do Tempo
Groundhog Day
Feitiço do Tempo
Groundhog Day

Ano: 1993

País: EUA

Classificação: 18 anos

Duração: 101 min

Direção: Harold Ramis

Roteiro: Danny Rubin, Harold Ramis

Elenco: Bill Murray, Andie MacDowell, Chris Elliott, Stephen Tobolowsky, Brian Doyle-Murray, Angela Paton, Rick Ducommun, Rick Overton, Robin Duke, Willie Garson, Ken Hudson Campbell, Michael Shannon, Harold Ramis

Nota do Crítico
Bom

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