Adanggaman | Crítica
<i>Adanggaman</i>
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No século 17, com a necessidade de ocupar um enorme continente ainda virgem e cheio de riquezas, os europeus enviaram para as Américas não apenas parte da sua escória como também foram à vizinha África capturar centenas de milhares de pessoas para usá-los como escravos. Para estes homens e mulheres, não havia salário ou qualquer outro tipo de benefício empregatício, a comida era escassa e o trabalho, árduo. A diferença deles para os animais de carga muitas vezes nem existia.
Adanggaman (de Roger Gnoan MBala - 2000) é o primeiro filme a mostrar os "bastidores" da escravização africana pelas mãos de seus conterrâneos. O diretor, natural da Costa do Marfim, começa a história de forma didática e dramática. Primeiro exibe um pouco do cotidiano de uma vila do oeste da África. Em seguida, foca na discussão entre o líder da tribo e seu filho. O momento é tenso e a cena bastante dramática: o jovem Ossei (Ziable Honore Goore Bi) tenta se livrar de um casamento arranjado, enquanto o pai afirma que o casamento se realizará conforme planejado. A cena mostra ainda a mãe de Ossei discutindo, o que demonstra uma mulher forte numa estrutura visivelmente patriarcal.
Após aprender que não terá outra solução, Ossei junta suas coisas e foge, deixando para trás não apenas a família, mas também a noiva prometida e a amada namorada que seu pai não queria como nora. Mas ele não vai longe, pois vê fumaça e fogo vindo da direção de sua aldeia. Corre, mas quando chega só consegue ver destruição e morte causados pelos seguidores do Rei Adanggaman (Rasmane Ouedraogo) - um traficante de escravos - e suas invencíveis amazonas. Com o pai e a namorada morta, Ossei parte para resgatar sua mãe. A partir deste momento, o filme alterna momentos de ação - caçadas, lutas e fugas - e outros de introspecção. MBala escancara alguns questionamentos expondo-os na tela e deixa outros para os espectadores.
Uma das principais críticas que o veterano cineasta de mais de 30 anos de experiência ouviu é que seu filme não mostrava a culpa dos europeus neste processo exploratório. Trata-se de uma injustiça, pois o projeto não foi pensado para falar das influências estrangeiras, mas sim da exploração dos negros pelos seus pares. Mesmo assim, o filme deixa claro que o intuito de Adanggaman era a venda de prisioneiros para navios brancos, que são citados várias vezes direta ou indiretamente.
Assistir a Adanggaman revela ao espectador mais do que o simples fim da liberdade daqueles que vieram do outro lado do Atlântico para povoar o novo continente. Um olhar mais atento verá um conformismo com o presente em que se vive e também uma certa passividade, algo presente tanto em alguns escravos do filme como também na cultura brasileira atual. E isso só prova que a longa viagem foi dura, mas a distância entre o Brasil e a África é menor do que o oceano que nos separa.
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