A Vida é um Milagre | Crítica
<i>A vida é um milagre</i>
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A vida é um milagre (Zivot je Cudo, 2004) é para poucos. O estilo de humor do iugoslavo Emir Kusturica pode assustar muita gente que, após descobrir que se trata de uma produção franco-iugoslava, entra no cinema imaginando um daqueles filmes em que nada acontece na primeira metade e, surpreendentemente, menos ainda se passa no restante. Logo no início da fita acompanhamos o carteiro Velja (Aleksandar Bercek) em sua jornada diária de trabalho, em que tem de encarar até mesmo ursos selvagens e burros apaixonados com tendências suicidas.
O exagero e o surrealismo das piadas lembram o que faziam os irmãos Marx. Porém não se trata apenas de uma comédia. Estamos falando de um filme que quer ser um pouco shakesperiano ao contar a história de um amor impossível e embrulhar tudo isso num pano de fundo que foi o início dos conflitos na extinta Iugoslávia entre sérvios e muçulmanos (desta vez os croatas fora poupados). O resultado, como era de se esperar, tem os seus altos e baixos.
Tecnicamente, Kusturica mostra a beleza de sua terra com uma câmera calibrada para tornar o que é bonito ainda mais belo. Ele mesmo diz que conseguiu deixar a região, fria, com jeitão da ensolarada Califórnia. As atuações também são bastante exageradas. Os personagens são do tipo que jogam o copo no chão após terminar a bebida, ou então despencam do palco no meio de uma canção. A música ajuda. A trilha sonora foi composta por Kusturica e Dejan Sparavalo e entoada pela sua banda, a No Smoking Orchestra, que já virou até filme - Memórias em Super 8 (2001).
A história pode ser dividida em três partes. Na primeira, a mais cômica e surrealista, os personagens e cenário são apresentados. Em 1992, o engenheiro ferroviário Luka (Slavko Stimac) se muda com sua família de Sarajevo para o interior, onde ajuda na construção de uma estrada de ferro que visa aumentar o turismo da região. Sua esposa Jadranka (Vesna Trivalic) era cantora de ópera e visivelmente desequilibrada. Milos (Vuk Kostic), seu filho adolescente, só pensa no dia em que voltará para a capital, para jogar futebol. Porém, antes disso, com o início da guerra, ele é chamado para se apresentar no exército. Após sua festa de despedida, em que sua mãe foge com um dos músicos, começa a segunda parte.
Os tiros e explosões vão chegando mais perto da estação. Neste momento, Luka fica sabendo que Milos foi preso. A única chance de ver seu filho novamente é trocá-lo pela prisioneira muçulmana, a linda enfermeira Sabaha (Natasa Solak), que é mantida refém em sua casa. Mas o que era uma simples fantasia vira uma paixão proibida entre dois inimigos de guerra. O terceiro ato começa quando Jadranka retorna para tentar refazer seu lar.
Tivesse o filme até 100 minutos, tudo estaria bem, principalmente porque a melhor parte é justamente o começo. Mas com um total de 155 minutos (também conhecidos como 2h35), algumas pessoas podem se sentir desconfortáveis na poltrona. O problema é que há uma perda de ritmo e até mesmo de foco quando entram os assuntos mais sérios. Idéias como "esta guerra tinha muito mais fundos financeiros do que étnicos" e "havia muitos soldados sérvios honestos" acabam ficando para terceiro plano... e desfocadas. Isso pode até agradar aos fãs, mas não vai aumentar o fã-clube do cineasta.
A Vida é um Milagre
Zivot je cudo
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