À Francesa | Crítica
<i>À francesa</i>
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As diferenças culturais entre os Estados Unidos e a França - e as rusgas decorrentes - são exploradas de maneira absolutamente insossa em À francesa (Le divorce, de James Ivory, 2003).
A adaptação do romance de Diane Johnson foi desenvolvida pela Merchant-Ivory, produtora consagrada pelos seus filmes de época, e conta com o trio Ismail Merchant (produtor), James Ivory (diretor) e Ruth Prawer Jhabvala (roteirista), indicados ao Oscar por Retorno a Howard´s End (Howards End, 1992). Tantos nomes de peso pressupõem uma película de qualidade, feita por gente que sabe muito bem o que está fazendo. Entretanto, À francesa comete erros crassos como dar pouca profundidade aos personagens (nenhum deles é bem definido), exagerar nas chatas piadas sobre americanos e franceses e sobrecarregar o filme de tramas paralelas, quase todas completamente desinteressantes.
O ponto alto da produção é seu elenco, que apesar da historinha sem rumo consegue atuações bastante naturais. Kate Hudson (Quase famosos) e Naomi Watts (O chamado) estão muito bem nos papéis principais e Thierry Lhermitte dá um banho de cara de pau como o "Tio Edgar", roubando todas as cenas em que aparece. Merece destaque também a fotografia do filme, muito bonita, apesar de que até um macaco com uma câmera Super 8 conseguiria extrair belas imagens de Paris.
A história mostra Isabel Walker (Hudson) chegando à capital francesa para ficar com sua irmã, Roxy (Watts), grávida de alguns meses e recém-abandonada pelo marido, Charles-Henri de Persand (Melvil Poupaud) - que encara o divórcio com uma naturalidade assustadora e decide simplesmente sair de casa, sem explicações.
Mesmo separada, Roxy continua a freqüentar a imponente propriedade dos Persand, onde Isabel acaba conhecendo o Tio Edgar, um diplomata sedutor e casado, com quem se apaixona e vive um romance escondido... mas nem tanto. Paralelamente, começa a disputa pela divisão dos bens dos ex-cônjuges, agravada por uma pintura que ela herdou da família, que pode ou não valer muito dinheiro, além do perigo representando pelo marido ciumento da nova namorada de Charles-Henri.
Pra não dizer que nada é aproveitado da película, pelo menos aprendi que aspargos são um excelente diurético e que um chá de água de rosas com menta perfuma naturalmente os fluidos corporais. :-P
À Francesa
Le Divorce
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