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Crítica

A Festa Nunca Termina | Crítica

A história da criação de "Madchester"

Juliano Zappia
05.06.2003
00h00
Atualizada em
02.11.2016
04h05
Atualizada em 02.11.2016 às 04h05

Nos últimos anos, a sétima arte tem produzido filmes que andam fazendo a alegria da maioria dos fãs de música. Velvet Goldmine em 1998, Quase Famosos e Alta Fidelidade em 2000, Hedwig em 2001. Agora é a vez do aguardado A festa nunca termina (24 Hour Party People, de Michael Winterbottom - Reino Unido, 2002).

Lançado na Europa há um ano, o longa chegou às telas brasileiras via festival de cinema do Rio e Mostra Internacional de São Paulo e agora finalmente entra em circuito.

A Festa Nunca Termina Conta, através dos estranhos olhos de Tony Wilson (interpretado pelo ótimo comediante Steve Coogan), a história de como a cena conhecia como "Madchester" foi criada. Para isso, eles voltam até o final da década de 70, durante o primeiro show dos Sex Pistol em Manchester, no norte da Inglaterra. Mesmo com pouca gente na platéia, Wilson, um criativo apresentador da TV local, percebe que o evento iria desencadear algo muito interessante por ali. E não demora muito para ele despertar o potencial de algumas bandas locais e abrir uma gravadora, a "Factory Records".

Todo filmado com cameras digitais, 24 Hour Party People beira o formato de um documentário e concentra esforços em três acontecimentos, a ascensão do Joy Division, a loucura do Happy Mondays e a euforia e o declínio do club Haçienda.

O filme retrata alguns mitos (a morte de Ian Curtis), exagera em alguns personagens (Shaun Ryder e o produtor Martin Hannet) e tem milhares de referências e dezenas de participações especiais. Mas vale por ter dissecado as trapalhadas, loucuras, liberdades e exageros que o pessoas da "Factory" adoravam aprontar.

24 Hour Party People estreou sem grande alarde na Inglaterra. Não chegou a ser capa de nenhuma revista, nem mesmo das especializadas em música. Talvez, como bem disse Bernard Sumner, ainda é cedo para um filme definitivo sobre Madchester.

Algumas curiosidades:

  • O título do filme é tirado de uma música do álbum de estréia do Happy Mondays, que é muito longo para eu escrever aqui.
  • O New Order gravou uma música especialmente para a trilha sonora. Here To Stay foi lançada como single e entrou na 28ª posição na parada inglesa.
  • O clube Haçienda acabou fechando por dar prejuízo. Todo mundo estava tão animado com ecstasy que ninguém consumia bebidas alcoólicas.
  • Comentário de Peter Hook, baixista do New Order, sobre o comediante Steve Coogan encarnando Tony Wilson: "Eles conseguiram colocar o segundo maior babaca de Manchester interpretando o primeiro!
Joy Division (2007)
Joy Division
Joy Division (2007)
Joy Division

Ano: 2007

País: Reino Unido, EUA

Classificação: 16 anos

Duração: 93 min

Direção: Reg Traviss

Roteiro: Rosemary Mason, Reg Traviss

Elenco: Ed Stoppard, Tom Schilling, Bernadette Heerwagen, Bernard Hill, Lea Mornar, Sean Chapman, Thomas Darchinger, Levente Törköly, Sybille Gebhardt, Bernard Kay, Michelle Gayle, Dietrich Hollinderbäumer, Marlon Kittel, Gary Jones, Ricci Harnett, Ram John Holder, Teri Földi, Robert Sidaway, Kincsõ Pethõ, Suzanne von Borsody

Nota do Crítico
Bom