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Crítica

+ Velozes + Furiosos | Crítica

Mais dinheiro. Menos cérebro.

Marcelo Forlani
12.06.2003
00h00
Atualizada em
29.06.2018
02h47
Atualizada em 29.06.2018 às 02h47

Velozes e Furiosos (Fast and Furious, de Rob Cohen) foi um daqueles filmes em que não existia meio termo. Ou você se divertia muito e saía do cinema em alta velocidade para poder dirigir logo (leia mais aqui), ou ficava furioso com uma trama boba feita para mostrar atores tão bonitos quanto canastrões e máquinas potentes, mas que te inspiram tanto quanto uma foto do Pedro de Lara pelado (leia mais aqui).

O filme foi uma das maiores surpresas de 2001. Com o custo de apenas 40 milhões de dólares (bons projetos hollywoodyanos custam, em média, 70 milhões), a fita conseguiu arracadar mais de 140 milhões de dólares só nos Estados Unidos. Uma conseqüência óbvia para este sucesso era o início de produção da continuação.

No final do filme anterior, Brian OConner (Paul Walker) ajudou Dominic Toretto (Vin Diesel) a fugir da polícia dando o seu próprio carro para o "bandido-bonzinho". Fazendo isso, ele honrou sua palavra com o rachador, mas aruinou uma mega-investigação da qual ele participava como policial à paisana infiltrado. Claro que os seus chefes não ficaram nada felizes e, além de voltar para casa a pé, ele perdeu o emprego.

Mais dinheiro. Menos cérebro.

O orçamento mais de duas vezes superior ao original não foi suficiente para segurar nem Vin Diesel, nem o diretor Rob Cohen. Juntos, eles foram filmar Triplo X (XXX - 2002), no qual Diesel recebeu "meros" 10 milhões de dólares - metade do que ele está ganhando para fazer Chronicles of Riddick, continuação de Eclipse mortal (Pitch black, 2000).

Os substitutos escolhidos foram John Singleton (Os donos da rua, Shaft) para a cadeira de diretor e o cantor Tyrese (O dono da rua) como parceiro de Brian. Enquanto Tyrese roubou a cena fazendo gracinhas e mostrando seu corpo esculpido, Singleton derrapou. As corridas, mesmo contando com mais recursos (inclusive muita computação gráfica), empolgam menos. Não existe mais a tensão do filme anterior em que se descobria só no fim quem era da gangue que roubava caminhões.

Apesar de ser passar em Miami, "capital da América Latina", a etnia mais forte é a negra - conseqüência da influência exercida por Singleton e Tyrese, duas estrelas "afro-americanas" que fazem questão de não esconder suas origens. Por isso, o hip-hop é quem mais chacoalha os esqueletos, depois dos motores dos carros, claro.

Para limpar seu nome, OConner recebe uma última chance da polícia federal: se infiltrar novamente no submundo dos rachas e ajudá-los a descobrir uma forma de capturar o argentino Carter Verone (Cole Hauser), que está na Florida para lavar o dinheiro ilegal que consegue. Sua única condição para aceitar o desafio é que ele escolha o parceiro: o ex-presidiário Roman Pearce (Tyrese). A relação entre os dois é complicada e tem mulher no meio da jogada. Aliás, este é o ponto fraco de Brian, que se deixa atrair por qualquer par de pernas (não que a belíssima Eva Mendes seja uma qualquer).

Mais velozes, mais furiosos é também "mais engraçado". Mas, é também "menos inteligente", pois é lotado de clichês, não apresenta surpresas para o público, nem tampouco as boas "atuações" dos carros do seu filme original. Mas isso não quer dizer que a ação não seja ótima, que os carros não sejam rápidos, nem que a diversão não seja garantida.

Mais Velozes, Mais Furiosos
2 Fast 2 Furious
Mais Velozes, Mais Furiosos
2 Fast 2 Furious

Ano: 2003

País: EUA

Classificação: LIVRE

Duração: 0 min

Direção: John Singleton

Roteiro: Michael Brandt, Derek Haas, Gary Scott Thompson

Elenco: Paul Walker, Tyrese Gibson, Eva Mendes, Cole Hauser, Ludacris, Thom Barry, James Remar, Devon Aoki

Nota do Crítico
Regular

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