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Crítica

I, Tonya | Crítica

Cinebiografia estrelada por Margot Robbie é um estudo sobre péssimas decisões de vida

Natália Bridi
13.09.2017
17h59
Atualizada em
13.09.2017
18h23
Atualizada em 13.09.2017 às 18h23

Tonya Harding nunca foi a queridinha da América. De origem humilde e família problemática, ela era o oposto da perfeição da patinação artística. Sua capacidade técnica para o esporte era uma contradição, um segredo que, a contragosto, os EUA revelava para o mundo. Nada mais natural então que a sua carreira tenha terminado com um escândalo: prestes a disputar a sua segunda olimpíada, Harding participou do ataque que quebrou o joelho da sua colega e concorrente Nancy Kerrigan.

Em I, Tonya, o diretor Craig Gillespie e o roteirista Steven Rogers narram a versão de Harding para os fatos, mas buscam todas as verdades que explicam o caso. Para tanto, aplicam os ensinamentos de Martin Scorsese sobre personagens problemáticos. A história da patinadora é vista com empatia, mas nunca condescendência. No controle da narrativa, os envolvidos entram em contradição, manipulam imagens e fazem da cinebiografia um estudo sobre péssimas decisões de vida.

Pela reprodução de depoimentos gravados de Tonya (Margot Robbie), seu marido Jeff Gillooly (Sebastian Stan), a mãe LaVona Golden (Allison Janney), o “segurança” Shawn Eckhardt (Paul Walter Hauser), entre outros, o filme garante não apenas um retrato genuíno dos outros envolvidos e da época, mas também da obsessão midiática que fez da crise de Harding um espetáculo - e logo depois a abandonou para cobrir o caso de OJ Simpson. Ao mesmo tempo, as tiradas irônicas, o elenco carismático e a trilha sonora animada pelo melhor dos anos 90, dão à história complicada de Tonya alto valor de entretenimento. A fórmula só falha quando deixa na cara que quer ser engraçadinha.

Robbie mostra a sua a sua habitual competência fazendo de Tonya a definição do errar é humano. Porém, o grande destaque do elenco é Janney, que com seu olhar fixo e visual excêntrico mostra como é possível amar um filho e ainda assim ser a pior mãe do mundo. A atuação de Hauser é outra a roubar a cena, principalmente quando os créditos finais revelam os vídeos das entrevistas originais de Shawn Eckhardt.

A história de Tonya Harding não cabe em uma cinebiografia convencional e Gillespie encontrou a forma perfeita para narrar o imperfeito. Como a própria Tonya diz, cada um tem a sua verdade, essa é a dela.

 

Nota do Crítico
Ótimo