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Crítica

I Kill Giants | Crítica

Com direção desinteressada e relações mal construídas, filme é uma oportunidade perdida

Natália Bridi
08.09.2017
17h57
Atualizada em
08.09.2017
18h26
Atualizada em 08.09.2017 às 18h26

A fantasia é um refúgio. Essa é premissa de I Kill Giants, adaptação da HQ da Image Comics de Joe Kelly e Ken Niimura. O filme, porém, assume esse conceito literalmente e o que deveria ser uma encantadora história sobre uma garota matadora de gigantes se torna um conto massante e óbvio.

Para que a fantasia se torne uma fuga para problemas reais é preciso acreditar no sonhador. O público precisa querer fazer parte daquele mundo alternativo, mesmo que já saiba da verdade. Em nenhum momento, contudo, o filme dá crédito para a história de Bárbara (Madison Wolfe). Muito mais importante do que colocar em cena os frutos da sua imaginação é torná-los concretos e desejáveis. É como se o filme já estivesse do lado dos adultos, sem levar a sério a sua protagonista (e seu amor por Dungeons & Dragons).

O fato de Kelly assinar o roteiro e a produção do longa prova que, na grande maioria das vezes, o autor da obra original não é a pessoa mais indicada para levá-la para outro meio. I Kill Giants sofre com excessos, relações mal construídas e personagens que não provam a que vieram pela falta de um olhar externo, intrigado e pronto para questionar aquele universo.

Desinteressada, a direção de Anders Walter, vencedor do Oscar pelo curta Helium, não acrescenta nada ao filme, assim como a presença de Chris Columbus nos créditos não tem qualquer efeito - em nenhum momento é possível avistar charme das aventuras infantis que fizeram a marca do produtor/diretor nos cinemas.

Com um bom elenco, incluindo a jovem Wolfe, Imogen Poots e Zoe Saldana, e boas intenções, I Kill Giants é uma oportunidade perdida. Poderia ser uma história inspiradora, mas a realidade ficou no seu caminho.

Nota do Crítico
Regular