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Crítica

Uma Lição de Amor | Crítica

Se Sean Penn segura a peteca, a atuação de Michelle Pfeiffer perde muito.

Ederli Fortunato & Marcelo Hessel
22.03.2002
00h00
Atualizada em
21.09.2014
13h12
Atualizada em 21.09.2014 às 13h12

O caminho para o Oscar é repleto de infortúnios. Doenças, deformidades, desastres. A Academia gosta mesmo é de lágrimas. E é voz corrente que comédia, ficção científica ou musicais não levam para casa os prêmios principais, muito menos os de melhor atuação. O problema enfrentado pelos produtores de "I Am Sam" (de Jessie Nelson, 2001), que recebeu no Brasil o açucarado título de "Uma Lição de Amor", é que reduzir o forçudo Russell Crowe a frangalhos tem rendido mais na coleta de troféus.

Sean Penn, que concorre com o ex-Gladiador ao Oscar de Melhor Ator, está perfeito como Sam, um homem com a mente de um garoto de sete anos. Dakota Fanning, a garotinha que interpreta sua filha Lucy também dá um show, embora sua indicação como melhor atriz no Screen Actors Guild tenha sido um exagero.

A questão proposta pelo filme é simples. Uma pessoa com as limitações de Sam pode ser responsável por uma criança que, em breve, terá mais capacidade mental que ele? Hollywood, porém, não resistiu à tentação de exagerar na hora de retratá-la. Assim, as pessoas consideradas capazes, para não usarmos a palavra normais, se mostram as menos indicadas para criar seus filhos. Basta olhar para a vida "imperfeita" de Rita (Michelle Pfeiffer), uma advogada com um casamento demolido que mal olha para o rosto do filho. É também o caso da mãe que abandonou Lucy e seu pai na saída da maternidade. Em contradição a essas vidas estão Sam e seus amigos, que sempre ajudam um ao outro e são positivos na forma como encaram o dia-a-dia.

As escolhas da diretora Jessie Nelson também se mostram equivocadas, pra não dizer covardes. Os movimentos de câmera, closes seguidos, vaivéns e enquadramentos instáveis, assim como os cortes rápidos sobre diálogos e ângulos, tentam criar uma atmosfera ainda mais emotiva, mas acabam causando problemas. Graças a essas "manobras", toda a sequência nos tribunais, por exemplo, fica insuportável. Isso sem contar o mal que esta velocidade na câmera causa ao trabalho dos atores. Se Sean Penn segura a peteca, a atuação de Michelle Pfeiffer perde muito.

A ajuda vem de Liverpool

O público também poderia viver melhor sem o final, que tenta conciliar os interesses de todo mundo. Até os fãs de Jornada nas Estrelas saem do cinema felizes. Participam do projeto Rosalind Chao, a Keiko, e Brent Spinner, o Comandante Data - dessa vez sem pintura dourada nem lentes de contato amarela.

Um pontos positivos que deve ser ressaltado sempre é a trilha sonora, toda constituída de covers dos Beatles. Aliás, a história inteira tem a ver com o quarteto inglês. A filha de Sam se chama Lucy Diamond, cenas remetem à Abbey Road, e o protagonista cita várias frases de Lennon e McCartney ao longo dos 132 minutos de filme.

"I Am Sam" vale pelas atuações e pela música. Mas não precisava de tanto açúcar.

Nota do Crítico
Bom