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Crítica

Hotel Transilvânia | Crítica

Você compra uma animação de Genndy Tartakovsky, mas só leva uma comédia do Adam Sandler e sua turma

Marcelo Forlani
04.10.2012
20h23
Atualizada em
29.06.2018
02h40
Atualizada em 29.06.2018 às 02h40

Ao ouvir o nome Genndy Tartakovsky adjetivos positivos logo vêm à mente, fruto de seu currículo recente, que lista O Laboratório de Dexter, Samurai Jack e os ótimos curtas-metragens de Star Wars - Clone Wars. O resultado de Hotel Transilvânia (Hotel Transylvania), porém, não está à altura da expectativa. O primeiro erro foi limarem o traço simples e as cores fortes que marcam seu estilo 2D para criar uma animação 3D pasteurizada, como tantas outras que se vê por aí não só nos cinemas como também em séries feitas para a TV. Os únicos vestígios tartakovskyanos ficam restritos ao flashback que conta a trágica história vivida pelo Conde Drácula (Adam Sandler) até decidir abrir um hotel onde os monstros estão livres dos humanos e os créditos finais. É pouco.

Hotel Transilvânia

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O que sobra, então, é uma comédia em que o produtor-executivo Adam Sandler mais uma vez reúne sua trupe de amigos para se divertir, sem se preocupar tanto com a diversão do público. Andy Samberg (Saturday Night Live) é o humano que chega ao castelo achando tudo aquilo "massa", até descobrir que o lugar está realmente lotado de monstros. Kevin James (O Zelador Animal) empresta sua voz ao Frankenstein. Steve Buscemi (Boardwalk Empire) é Wayne, o Lobisomem que acha que é coelho e deve ter 101 filhotes. O Homem Invisível Griffin tem a voz de David Spade (Gente Grande) e por aí vai.

Embora tenhamos algumas boas piadas espalhadas pela trama (como os zumbis pedreiros e a bem-vinda tiração de sarro com Crepúsculo) e um bom uso do 3D (principalmente na cena das mesas voadoras), o roteiro não consegue ir além do arroz com feijão na relação pai-superprotetor x filha curiosa por conhecer o mundo. É uma situação conhecida, já bastante explorada nos cinemas e que não vai além do previsível na sua resolução.

Talvez seja a falta de personagens secundários mais carismáticos.

O Frankenstein não faz nada além de ficar se desmontando. O Lobisomem passa o tempo todo tentando controlar sua matilha. A múmia nada faz. E o Homem Invisível é "irrisível". Em nada ajudam também a tradução e a dublagem, que optam por dar aos personagens sotaques regionais brasileiros. É mais entristecedor do que engraçado ver o Lobisomem forçando um sotaque paulistano, a Múmia carregando no "carioquês" e um gremlin sair falando "uai", sem jamais ter comido um queijo-minas na vida.

Serve de alento o fato do filme ter estreado bem nos Estados Unidos - fez 42 milhões no seu fim de semana de estreia, o que pode levar Tartakovsky a novos projetos no cinema, que esperamos sejam mais autorais e no nível de suas criações para a telinha.

Hotel Transilvânia | Omelete Entrevista os Dubladores Originais (Leia a transcrição)

Hotel Transilvânia
Hotel Transylvania
Hotel Transilvânia
Hotel Transylvania

Ano: 2011

País: EUA

Classificação: LIVRE

Duração: 91 min

Direção: Genndy Tartakovsky

Roteiro: Dan Hageman

Elenco: Adam Sandler, Steve Buscemi, David Spade, Kevin James, Selena Gomez, Andy Samberg, Fran Drescher, Molly Shannon, Cee Lo Green, Jon Lovitz, Rick Kavanian, Elyas M’Barek, Josefine Preuß

Nota do Crítico
Regular

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