Hotel Transilvânia 3 - Férias Monstruosas

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Filmes

Crítica

Hotel Transilvânia 3 - Férias Monstruosas

Com piadas sobre o cotidiano, o filme diverte as crianças com pouco apelo para os adultos

Camila Sousa
12.07.2018
15h06

Uma das primeiras coisas a se dizer sobre Hotel Transilvânia 3 - Férias Monstruosas é que ele não tem muito apelo para o público mais velho. Diferente de longas animados da Pixar, Disney e DreamWorks, que misturam discussões profundas e piadas de duplo sentido com momentos divertidos, esta produção da Sony Animation é feita quase totalmente para as crianças, o que não a torna necessariamente ruim, apenas um pouco limitada.

Na trama, a família deixa o hotel para sair em uma viagem de férias, com direito a navio, praias com banho de lua e todo o pacote básico de turismo. Nesse momento, o filme apresenta uma de suas fontes de humor: as piadas com o cotidiano. Há desde o casal de pais que finalmente consegue deixar os filhos no berçário do navio, até o Drácula (Adam Sandler) tentando usar o comando de voz Siri para em um “Tinder” do mundo dos monstros. Esses são os únicos momentos em que a trama tenta alguma conexão com os adultos que acompanham as crianças, mas as piadas são tão bobas que não rendem muitos risos.

Outro problema dessas cenas é que eles são criadas como pequenas esquetes dentro do filme. Ou seja, os coadjuvantes não têm histórias desenvolvidas, eles aparecem apenas em momentos desconectados que brincam as características de cada um. Isso resulta em momentos realmente divertidos, mas que terminam ali. Como dessa vez a história é focada no Drácula e seu desejo de encontrar uma companheira, há bem menos espaço para a relação entre Mavis (Selena Gomez) e Johnny (Andy Samberg), o que é uma pena, mas compreensível dentro da história que o filme quer contar.

Com o foco praticamente exclusivo no público infantil, Hotel Transilvânia 3 - Férias Monstruosas também não se preocupa em esconder o vilão e suas motivações. Tudo é revelado de forma didática no segundo ato e, a partir de então, começam os planos mirabolantes e cartunescos, que são bem executados e lembram desenhos como Pernalonga e Coiote e Papa-Léguas. Aproveitando esse tom de diversão, o longa escolhe fazer sua “batalha final” do modo mais inusitado possível. Assim como acontece com o Senhor das Estrelas em Guardiões da Galáxia Vol. 1, a música é protagonista do grandioso desfecho, que ressalta a qualidade das animações da Sony, também é responsável pelo inédito Homem-Aranha no Aranhaverso.

Ao conduzir a história de forma despretensiosa, Hotel Transilvânia 3 - Férias Monstruosas termina sem a necessidade de uma “lição no final do dia”. Assim como os personagens em suas férias, o público se diverte durante 1h e meia e deixa o cinema com a sensação de ter conferido um filme que é sim divertido, porém esquecível.

Nota do Crítico
Regular