Filmes

Crítica

Homem-Formiga

Marvel prova que, por menor que seja, não existe herói pequeno nas telas

Érico Borgo
08.07.2015
20h08
Atualizada em
02.07.2018
14h06
Atualizada em 02.07.2018 às 14h06

Guardiões da Galáxia foi considerado durante meses a aposta mais arriscada do Marvel Studios por tratar de uma super equipe pouco conhecida até dos fãs de quadrinhos. A aposta do estúdio provou-se certeira por empregar a fórmula equilibrada de humor e ação que marca suas produções. Agora, a dúvida era sobre a qualidade de outro filme de herói mal explorado nas HQs, o Homem-Formiga. E mais uma vez a Marvel prova que não existe super-herói desconhecido quando seu time criativo está no caso.

Homem-Formiga, afinal, não apenas trata de um personagem mediano - ele estava na fundação dos Vingadores na década de 60, mas nunca segurou um grande título solo ou conseguiu migrar para o primeiro escalão da editora -, mas também teve produção conturbada. O filme perdeu o popular entre os fãs Edgar Wright (Scott Pilgrim Contra o Mundo) e passou para as mãos de Peyton Reed, de algumas comédias decentes, como Sim Senhor e Abaixo o Amor, mas que nunca tinha dirigido uma grande produção de ação. Wright discutiu com o estúdio especialmente por não concordar com a necessidade de integração do filme com o Universo Marvel e a emotividade do filme.

Felizmente, esses dois aspectos estão acertadíssimos em Homem-Formiga, provando que o estúdio fez bem em questionar seu diretor. Peyton Reed também acerta a mão no lado da aventura, trazendo uma excelente estética para o filme - a mais inusitada até aqui nos longas da Marvel. A natureza dos poderes do Homem-Formiga - a diminuição - é explorada com qualidade e dá vontade de ficar mais tempo acompanhando-o em suas primeiras incursões ao reino microscópico. As brincadeiras com escala e as grandes (ou seriam pequenas?) cenas de ação empolgam, já que empregam também uma estrutura de filme de assalto que traz novidade ao Universo Cinematográfico Marvel.

O elenco principal está ótimo, especialmente Paul Rudd, que convence como Scott Lang, o criminoso que se vê envolvido em uma disputa de poder que coloca em risco a segurança global. Na trama, o recém-saído da cadeia Scott Lang precisa ajudar o cientista Hank Pym (Michael Douglas) a impedir que o CEO inescrupuloso de sua empresa (Corey Stoll, vilão com pegada de Sessão da Tarde) crie um exército de homens do tamanho de formigas, desequilibrando o poder mundial.

Apesar da ameaça planetária, porém, o longa é focado nos problemas pessoais de seus protagonistas, numa curiosa metáfora para os próprios elementos super-heroicos do filme, algo que a batalha final exalta com competência. A questão macro é mero pano de fundo para as questões micro, emocionais.

O outro problema de Wright - que apesar de ter saído da produção é bastante creditado nela - a obrigatoriedade da interação com o Universo Marvel estabelecido, é outro ponto alto de Homem-Formiga. As menções aos outros filmes e participações de heróis são orgânicas, nada forçadas e efetivamente agregam à trama. A expansão do mundo do próprio Homem-Formiga também é muito bem pensada, considerando a longa e conturbada história do personagem nas páginas. A opção por um herói mais velho, como mentor do novo, funciona, assim como os ganchos para o futuro - e poderes vindouros. Privilegiando os conflitos microscópicos - na ação e nos personagens -, sem superpovoar a trama, Homem-Formiga acerta em cheio, entregando outro grande, ainda que despretensioso, filme do estúdio.

Nota do Crítico
Ótimo