Homem-Aranha

Créditos da imagem: Sony/Divulgação

Filmes

Crítica

Homem-Aranha no Aranhaverso

Filme é uma das melhores adaptações do Homem-Aranha na história do cinema

Fábio de Souza Gomes
10.01.2019
13h28
Atualizada em
10.01.2019
13h42
Atualizada em 10.01.2019 às 13h42

Homem-Aranha no Aranhaverso é o filme que a Sony precisava. A produtora não sabia mais como utilizar o personagem em live actions – tanto que fez uma parceria com o Marvel Studios que deu origem a franquia estrelada por Tom Holland – e, agora, acerta ao colocar o herói em uma animação, mudando o protagonista e nos dando um novo herói acompanhar: Miles Morales.

O roteiro assume que já conhecemos a história de Peter Parker – e inclusive brinca com isso no início ao fazer um ótimo resumo de sua origem – e passa os holofotes para Miles Morales, um personagem que surgiu no Universo Ultimate e fez tanto sucesso que foi incorporado no Universo tradicional da Casa de Ideias nos quadrinhos. Com isso, o filme consegue agradar antigos e novos fãs, pois o Homem-Aranha continua como foco, mas com um peso completamente diferente.

O mundo de Miles é o oposto de seu antecessor. Apesar de também ter dificuldades em lidar com seus poderes e a vida no colégio, ele é um jovem negro com descendência hispânica que não sabe como assumir o manto do herói. Miles dá um novo respiro para o personagem e evitou que vissemos, mais uma vez, a mesma história que já conhecemos tão bem. Esse é um Homem-Aranha novo, com novos problemas e dilemas que precisa lidar com o fato de que existe um multiverso de Aranhas como ele.

Um dos grandes trunfos do longa é como ele consegue equilibrar tantos personagens ao mesmo tempo. Phil Lord e Chris Miller, que são os produtores do projeto, já haviam feito algo semelhante em Uma Aventura Lego e repetiram com maestria em Aranhaverso. Cada herói tem sua particularidade e tem espaço para brilhar - alguns mais, outros menos – mas acima de tudo a ação e as piadas acontecem de uma maneira fluída e única. E tudo isso se deve a maneira como a animação foi trabalhada.

O visual da produção é especial pois consegue equilibrar diversos estilos diferentes. Esse mundo animado conta com diversas referências aos quadrinhos – como barulho de sons e quadros de pensamento – e tudo acontece de uma maneira tão natural que faz desse o longa que melhor conversa com as HQs. O interessante é que Miles, Peter Parker e Gwen Stacy, que são os protagonistas, contam com um estilo mais parecido com esse mundo, mas os outros Aranhas são referências diretas a outros estilos de animação. O Porco-Aranha é praticamente um desenho dos Looney Tunes e conta com um traço 2D tradicional; Peni Parker, a versão japonesa do herói, é uma homenagem constante aos animes; e o Homem-Aranha Noir, além de ser preto e branco, brinca com todos os clichês do gênero. Tudo o que eles fazem é uma espécie de easter egg, que são outro ponto alto da produção.

O trio de diretores Bob Persichetti, Peter Ramsey e Rodney Rothman procuraram ao longo de filmes, séries e quadrinhos do Homem-Aranha maneiras de homenagear o passado do herói. Desde memes envolvendo o personagem, passando pela canção clássica dos anos 60 até as produções de Sam Raimi, o filme coloca homenagens em quase todas as cenas. Isso é mais um estímulo para o público rever a produção, pois todos são colocados de uma maneira sútil que não atrapalha a história e, sim, ajuda a contá-la.

Homem-Aranha no Aranhaverso definitivamente é uma das melhores animações do ano por conseguir equilibrar tantos estilos diferentes sem causar estranhamento no público. Só por isso já valeria o ingresso, mas esse também é um dos melhores filmes já feitos do Teioso e consegue deixar o público empolgado ao mesmo tempo que emociona e faz rir.

Nota do Crítico
Excelente!