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Holly
Holly
EUA, 2006
Drama - 144 min.

Direção e roteiro: Guy Moshe

Elenco: Ron Livingston,
Chris Penn, Udo Kier, Virginie Ledoyen, Thuy Nguyen, Sahajak Boonthanakit, Srey Cham, Kosal Dang, Mudha Dann, Sethy Dy, Adi Ezroni

A prostituição infantil é uma realidade asquerosa e presente. Quem mais sofre deste mal são os países do terceiro mundo. Os motivos são vários, mas os principais são a vida miserável da população e a falta de impunidade da polícia local. Holly (2006), do diretor estreante Guy Moshe, é um retrato dramaturgico de um pesadelo real que está longe de terminar.

O título do filme é o nome de uma personagem. Holly, uma menina de 12 anos, foi vendida por sua família no Vietnã e levada ao Camboja para trabalhar como prostituta no distrito K11. Ela é prisioneira em um bordel onde sua virgindade será vendida a um alto preço. Ela já tentou fugir de seu cruel destino, mas foi recapturada. Resolveu não fugir mais depois que ameaçaram trazer sua irmã mais nova para tomar seu lugar.

Patrick é um norte-americano expatriado que não tem sorte no pôquer. Ele transporta artefatos roubados pela fronteira para Freddie, uma espécie de chefão do crime em Bangok. Em uma de suas viagens, a motocicleta quebra perto da famosa vila vermelha do distrito K11. É lá que ele entra em contato direto com a prostitução infantil. Klaus, um advogado alemão, lhe introduz à dura realidade dessas meninas.

Adolescentes e mesmo crianças oferecem serviços de lambe-lambe ou fuqui-fuqui por míseros dólares. Tudo isso comandado por cafetinas protegidas pelas autoridades locais. Enojado, Patrick procura ficar o mais distante possível de tudo isso, mas pouco a pouco Holly lhe chama a atenção pois é muito maltratada pelas prostitutas mais velhas. Nasce, então, uma verdadeira amizade entre os dois. A relação platônica não é compreendida pelas outras pessoas. A amizade é interrompida quando Holly é vendida a um traficante de crianças e desaparece. Os esforços de Patrick para encontrá-la novamente e a luta de Holly para fugir de seu destino nos conduzem por uma jornada através das belas e duras paisagens do Camboja.

Durante a sua busca, Patrick conhece Marie, uma assistente social estrangeira. Ele fica ainda mais perplexo com o problema quando descobre que a única maneira de tirar Holly do bordel é comprando sua liberdade. Mas, segundo Marie, isso só faria as coisas piorarem, pois incentivaria ainda mais o tráfico. Já Holly acredita que está pagando algum karma de vidas passadas. Crê que precisa passar por isso agora para, quem sabe, retornar como princesa. Ela não culpa os pais, entende que isso era necessário para eles não morrerem de fome.

Viagem ao inferno

A idéia de Guy Moshe nasceu de uma experiência própria. Ele estava andando pelo Camboja, quando uma criança de 5 anos se ofereceu para fazer lambe-lambe nele por 30 dólares. Atônito com a proposta, Guy resolveu se aprofundar no tema. O roteiro escrito pelo próprio Moshe e o produtor Guy Jacobson é resultado de muita pesquisa e tem como objetivo defender os direitos dessas crianças. As cenas foram filmadas no Camboja, onde foram usadas as instalações dos verdadeiros bordéis. E muitas das prostitutas que aparecem no filme não são atrizes, mas sim mulheres que vivem nessa realidade tenebrosa.

Holly é interpretada pela novata Thuy Nguyen, que é de origem vietnamita. Ela foi escolhida depois de uma longa procura. Em sua interpretação, ela incorpora a personagem com tamanho afinco que faz acreditar durante a projeção que sua história é um caso real. Completando o elenco temos Ron Livingston no papel de Patrick, Udo Kier como Klaus, Chris Penn interpretando Freddie e Virginie Ledoyen, a Marie. Todos abraçaram o projeto pela a importância do tema e também interpretam de forma extremamente realística. Vale dizer que esse foi o último papel de Chris, irmão de Sean Penn, que morreu de enfarte no inicio de 2006.

A grande sacada do filme não foi tentar apontar os culpados ou servir para algum tipo de propaganda. O longa é construído como se fosse uma reportagem jornalística. A câmera de Yaron Orbach fica quase todo tempo na mão, passeando como se fosse mais um personagem. Com esse recurso, o público se sente parte integrante da história.

Acertadamente Moshe não apela para o nu ou cenas de sexo. Sua intenção era chamar a atenção para o problema e não explorar o tema. E mesmo nas cenas de emoção, ele não carrega na carga dramática, evitando cair na pieguice.

O final do filme pode incomodar aqueles que precisam de uma conclusão. Mas em uma sessão aberta para o público no Festival do Rio, o diretor afirmou que essa escolha tem um porquê. O problema está longe de acabar e a intençao era provocar uma reflexão na audiência. Todo ano, 2 milhões de crianças são vendidas pelos pais para a indústria sexual. A Máfia local e os governos do Camboja e Vietnã estão envolvidos no esquema. Para conseguir com que as garotas cooperem, além das costumeiras ameaças, elas ficam sem comida durante dias. Assim, elas acabam trocando o sexo por uma refeição. O filme acabou virando um projeto maior chamado K11 Project, que envolve três produções. A primeira é Holly; a segunda, o documentário The Virgin Harvest, que fala sobre o tráfico infantil; e a terceira é The K11 Journey, uma espécie de crônica de como foram as atribuladas filmagens no Camboja. Quem quiser ajudar no problema ou se aprofundar no tema deve visitar o site www.redlightchildren.org.

Nota do Crítico

Bom
Mario "Fanaticc" Abbade

Holly

Holly

18 Drama
Duração: 114 min
Direção: Guy Moshe
Elenco: Ron Livingston, Chris Penn, Thuy Nguyen
Data de lançamento: 01 de outubro de 2006
Onde assistir:

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