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Crítica

Gringo - Vivo ou Morto | Crítica

Cheio de reviravoltas mal trabalhadas, o filme se sustenta no carisma do seu elenco

Mariana Canhisares
02.05.2018
18h20
Atualizada em
04.05.2018
06h04
Atualizada em 04.05.2018 às 06h04

Acompanhar a jornada de um azarão pode ser uma tarefa custosa ao público, principalmente se a narrativa em questão for guiada por alguém como Harold, o protagonista de Gringo - Vivo ou Morto. Mesmo perseguido por um cartel de drogas no México, traído pelo melhor amigo e usado como bode expiatório no trabalho, o executivo se mantém esperançoso de que a situação pode melhorar. O otimismo quase inabalado é frustrante, ainda mais com tantos personagens tomando decisões moralmente questionáveis - e mais divertidas -. Porém, não se pode negar que isso cria cenários realmente cômicos. Pena que eles se sustentam mais no talento dos atores do que no roteiro.

Longe de ser original, a trama se desenvolve em um emaranhado de reviravoltas e subtramas pouco relevantes, que enfatizam a todo momento o quanto Harold é azarado e sozinho, mas que no fundo avançam pouco a narrativa. Basta olhar para o arco do casal Sunny (Amanda Seyfried) e Miles (Harry Treadaway), que corre paralelamente à história do protagonista. Dele, fica a impressão de que os personagens estão ali somente para incrementar o final da história de Harold, sem contribuir de verdade para o restante da jornada.

Ainda assim, as situações constrangedoras e absurdas que ocorrem entre o trio David Oyelowo, Charlize Theron e Joel Edgerton dão ao público um motivo para rir. Carismático, Oyelowo consegue transitar entre os lados bobo e dramático da vida do personagem, dando um pouco mais de peso às suas atitudes. Edgerton também faz um bom trabalho, mas, no fundo, quem rouba a cena é Theron. Interpretando a chefe megera, que não tem medo de passar por cima de ninguém para garantir a sua sobrevivência, ela também é a grande a responsável pelo envolvimento do espectador com o filme.

Gringo - Vivo ou Morto está longe de ser uma obra de arte, mas, mesmo com todos os problemas, ele diverte. Numa daquelas tardes em que você não quer pensar muito, só dar umas risadas, ele pode ser uma boa escolha para passar o tempo.

Nota do Crítico
Regular