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Getúlio | Crítica

Filme de intriga palaciana faz a ponte com um Brasil mais contemporâneo

Marcelo Hessel
30.04.2014
19h02
Atualizada em
01.11.2016
21h07
Atualizada em 01.11.2016 às 21h07

"Gosto mais de ser interpretado do que me explicar", diz Tony Ramos no papel de Getúlio Vargas em Getúlio, filme que reconta os últimos dias do ex-presidente da República. A fala é uma das pistas de que o trabalho do diretor João Jardim busca o subtexto - no caso, uma interpretação específica, que faça a ponte entre a crise que antecedeu o suicídio de Getúlio com a crise institucional do Brasil de hoje.

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Funciona como um thriller de intriga palaciana a trama que sucede o atentado a Carlos Lacerda (Alexandre Borges) em agosto de 1954, que coloca o governo de Getúlio em dúvida e cria uma instabilidade entre militares e civis. A intervenção do exército é incentivada por muitos e parece iminente. Não seria o primeiro nem o último golpe militar a vitimar uma Constituição federal, e o filme trata a morte do presidente como um martírio em nome do legalismo.

Evidentemente a relação imediata é com o golpe militar e com a ditadura de fato, que completou 50 anos em 2014, e enquanto filme que mistura a Solidão do Poder com os fantasmas da história (os planos do lustre do Catete, os militares pintados na parede, os pesadelos de Getúlio com a tropa invadindo o palácio, e as algemas, esse símbolo de maus-tratos), Getúlio funciona bem como cautionary tale, como assombração.

São os nomes e as situações que ecoam até hoje, porém - como a Petrobras encarada como tesouro nacional em perigo, ou o fato de Getúlio não-saber-de-nada (mensalão, alguém?) -, que acabam dando à museologia de Getúlio um outro peso, mais grave. Embora hoje, em tempos de pragmatismo político, pareça muito teatral toda a rixa Getúlio-Lacerda e mesmo o sacrifício do presidente, é inegável que a responsabilidade da presidência da República continua a mesma, e é esse o peso que o filme consegue medir.

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Getúlio
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Ano: 2014

País: Brasil

Classificação: 12 anos

Duração: 100 min

Direção: João Jardim

Elenco: Tony Ramos, Alexandre Borges, Drica Moraes, Leonardo Medeiros

Nota do Crítico
Bom

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