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Crítica

Gata Velha Ainda Mia | Crítica

Regina Duarte faz mistura de Norma Desmond com Jigsaw em terror pronto para consumo irônico

Marcelo Hessel
02.10.2013
11h31
Atualizada em
29.06.2018
02h37
Atualizada em 29.06.2018 às 02h37

Regina Duarte não tem mais medo. Seja por coragem, ou a título de desabafo, a atriz encarna uma mistura de Norma Desmond com Jigsaw e entrega tudo o que tem em Gata Velha Ainda Mia, filme de terror que marca a estreia na direção de longas de Rafael Primot, nome saido da televisão e do teatro.

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Durante os créditos iniciais aprendemos que a reclusa escritora Gloria Polk (Duarte) está voltando a publicar, anos depois de seu último romance. Ela aceita dar uma entrevista em casa para a jornalista Carol (Bárbara Paz), e em um fluxo de consciência em voz alta a escritora prontamente explica seus dramas e motivos: ficou velha, caducou seu feminismo, odeia mulheres jovens, ressente-se da solidão.

Intencionalmente ou não, Gata Velha Ainda Mia pinta com a maior rapidez Gloria Polk como maníaca, e o espectador passa o filme todo esperando ela reconhecer que tem uma tendência a Hannibal Lecter. É uma espera angustiante porque: não é todo dia que a Namoradinha do Brasil se presta ao papel de louca; queremos logo que o terror se consume; e porque Gata Velha Ainda Mia é absolutamente entediante na sua preparação do "banquete".

Primot se limita a pegar a premissa de Sleuth - a peça de Anthony Shaffer duplamente adaptada ao cinema com Michael Caine - e transformá-la num monólogo filmado em close-up, para a protagonista extravasar seus ressentimentos. Encenar filmes num único ambiente não é fácil, e quando o que se tem no seu naipe de recursos são só planos-detalhes em câmera lenta e uma fotografia "quente", o resultado pode mesmo ser bastante insatisfatório.

Restam, então, o consumo irônico de frases feitas para virar meme ("a terra preta do Nordeste de Teerã!"), o passatempo de pescar referências (Crepúsculo dos Deus é citado quase literalmente) e o prazer de ver o filme se entregar aos poucos aos clichês de gênero: trilha sonora emulando Danny Elfman, muitas trovoadas, Bárbara Paz deitada num ninho de papel-alumínio, a obrigatória reviravolta inteligentona no final.

Acompanhe as nossas críticas do Festival do Rio 2013

Nota do Crítico
Ruim