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Crítica

A Garota da Capa Vermelha | Crítica

Crepúsculo mais whodunit vira comédia involuntária

Marcelo Hessel
21.04.2011
16h31
Atualizada em
21.09.2014
14h19
Atualizada em 21.09.2014 às 14h19

Tudo em A Garota da Capa Vermelha (Red Riding Hood) remete a Crepúsculo - da presença de Catherine Hardwicke na direção ao triângulo amoroso, passando por tomadas aéreas de paisagens idílicas e pelo obrigatório subtexto sobre castidade. Isso não deve ser surpresa pra ninguém. Aliás, quem conhece a saga não precisa pensar muito para antecipar como termina essa versão moderna da história de Chapeuzinho Vermelho.

Mas, por conta de uma coincidência do mercado, A Garota da Capa Vermelha está chegando aos cinemas pouco depois de Pânico 4, e os dois dividem um parentesco curioso. São filmes de gêneros distintos com uma mesma estrutura, o whodunit - expressão que, se fôssemos obrigados por lei a traduzir, em português ficaria algo como "quemquimatô".

a garota da capa vermelha

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São aquelas histórias de mistério que começam com um crime e transformam todos os personagens em suspeitos. O whodunit sempre teve uma carga de literatura policial barata - não por acaso a culpa sempre era do mordomo - e Pânico, sabendo disso, manipula com ironia as expectativas que ele cria. Já A Garota da Capa Vermelha de irônico não tem nada - o que torna o whodunit mambembe de Hardwicke muito mais engraçado.

Porque, desculpe, o único prazer que há aqui é o da vergonha alheia. Amanda Seyfried, a Chapeuzinho do filme, com seus olhos grandes, sabe misturar com precisão inocência e desejo, mas está cercada de inépcia. Dizer que o filme foi feito para garotas de 10 anos se emocionarem e se apaixonarem é subestimar a inteligência das pré-adolescentes. Eu prefiro pensar que A Garota da Capa Vermelha, enquanto comédia involuntária, está ao alcance de todos.

Só na base do escracho dá pra encarar falas como "ela preferiu morrer a ficar sem o amado" ou as dezenas de planos de grua desnecessários da diretora de fotografia Mandy Walker. Se o seu cenário parece feito para o teatro da escola, tomadas do alto não vão ajudar. Já contar quantas vezes eles repetem que "pessoa mordida em 'lua de sangue' vira lobisomem" pode ser uma diversão. (Quatro vezes, aliás.) E imaginar que o filme é um tratado sobre os perigos do incesto - porque será que toda vila medieval tem um "lerdinho"? - também vale.

Mas o melhor é acompanhar o whodunit. Os close-ups que se repetem no desenho do lobo na porta da igreja, os galãs que surgem de trás do palheiro, a gorda que espreme os olhos e ergue a sobrancelha pra mostrar que desconfia de alguém... Será que Catherine Hardwicke já assistiu a Assassinato por Morte? Porque para A Garota da Capa Vermelha ficar perfeito só faltou Peter Falk vestido de vovozinha.

A Garota da Capa Vermelha | Assista a sete cenas
A Garota da Capa Vermelha | Cinemas e horários

Nota do Crítico
Ruim