Imagem de Frozen 2

Créditos da imagem: Frozen 2/Disney/Divulgação

Filmes

Crítica

Frozen 2

Sequência entrega história madura, que reflete a história dos personagens

Camila Sousa
06.12.2019
19h16
Atualizada em
07.12.2019
10h53
Atualizada em 07.12.2019 às 10h53

Há alguns sucessos que acontecem sem serem muito planejados. Por mais que invista em produtos de qualidade, é difícil pensar que a Disney projetou que o primeiro Frozen faria tanto sucesso com sua música-chiclete “Let It Go” (“Livre Estou” em português). A empresa é acostumada com produções grandiosas, mas Frozen foi além, estampando cadernos e mochilas infantis ao redor de todo o mundo. Assim, a expectativa pela sequência era grande. Será que há uma nova música que não sairá da cabeça dos fãs? A resposta é não, mas isso não desmerece em nada a produção.

A história começa com Anna e Elsa vivendo felizes em Arendelle. O reino é próspero: Anna está feliz com o castelo aberto e sua relação com Kristoff; Olaf, o boneco de neve vivo, está em uma divertidíssima fase existencialista, questionando o sentido de tudo; e até a rena Sven está feliz com suas atividades. A única que continua se questionando é Elsa, que agora ouve uma voz que a chama para ir além do que conhece.

Verdade seja dita, a rainha nunca viveu em completa paz. Desde a infância, Elsa é atormentada por seus poderes. Depois que machucou sua irmã Anna por acidente, a “rainha do gelo” passou a ter medo de ser quem era de verdade. Isso mudou um pouco no primeiro Frozen e no começo da sequência, já que Elsa usa seus poderes na frente de outras pessoas, mas fica claro que ela ainda esconde quem é de verdade por medo de machucar quem está ao seu redor.

Assim, Frozen 2 segue um caminho de amadurecimento, tanto da produção, quanto de suas personagens. Através da preocupação excessiva de Anna com a irmã mais velha, o filme mostra como aqueles que nos amam pode acabar nos segurando de alguma forma. Por mais que tente deixar a irmã livre, Anna teme pela segurança dela e esse sentimento extremo faz com que a rainha nem sempre faça o que gostaria de fazer. Essa dinâmica espelha tudo o que Elsa viveu até agora: o conflito entre ficar em Arendelle ou usufruir 100% de seus poderes. Em Frozen 1, ela canta que jamais voltaria para o reino, mas, como acontece em vários núcleos familiares, ela cede em prol da felicidade de todos.

Todos esses temas são colocados em um filme aparentemente infantil que, por incrível que pareça, conta ainda com muitos momentos de humor, especialmente com Olaf. O boneco de neve deixou de ser apenas uma figura fofa e agora questiona sua própria existência. A versão dublada em português com Fábio Porchat tem um charme a mais, especialmente quando ele reconta momentos da primeira produção.

Aliás, citar o primeiro filme é uma das maiores características da sequência e isso é positivo. Como dito acima, Frozen foi um divisor de águas na Disney Animation, trazendo uma atualização das princesas e um atestado de renovação do estúdio. Os acontecimentos do primeiro longa sempre são trazidos à tona em Frozen 2, resultando também em um fechamento de ciclo para Anna e Elsa que, de certa forma, nunca superaram de verdade a perda dos pais e como ficaram separadas neste período. Essas sequências são extremamente duras pela realidade que representam, mas são necessárias para que as irmãs sigam em frente.

Visualmente, Frozen 2 é um desbunde de tecnologia, resultado em uma animação linda de assistir. Desde o castelo de Arendelle, até os novos cenários e os poderes de Elsa, tudo é belamente colocado em tela. A tecnologia também ajuda quando a rainha muda de ares e visual, mostrando agora um lado ainda mais livre ela conhecia. Com tantos elementos, o roteiro da sequência é menos redondo do que o primeiro. Enquanto Frozen 1 pode ser considerado uma história de amadurecimento clássica, o segundo tem vários temas e isso torna a segunda parte do filme extremamente diferente da primeira. Felizmente, esse ponto não atrapalha em nada a experiência.

“Into the Unknown” é a música que embala os questionamentos de Elsa em Frozen 2 e talvez ela não faça tanto sucesso quanto “Let It Go”, mas está tudo bem. Se no primeiro filme a rainha amadurece na frente do público ao criar seu castelo de gelo, aqui ela se liberta de tudo o que a atrapalhava. A Elsa do final de Frozen 2 é uma mulher completa, que finalmente encontrou seu lugar no mundo e uma forma de conciliar sua felicidade com a convivência em família. Ela sofre para chegar até esse momento de plenitude, mas o resultado é tão belo que vale a pena sofrer - e depois sorrir - ao lado das irmãs de Arendelle mais uma vez.

Nota do Crítico
Ótimo