Kathryn Newton em Freaky: No Corpo de Um Assassino

Créditos da imagem: Freaky/Divulgação

Filmes

Crítica

Freaky: No Corpo de Um Assassino

Nova comédia de horror de Christopher Landon entrega slasher neurótico, sangrento e ridiculamente divertido

Arthur Eloi
13.11.2020
10h00
Atualizada em
12.11.2020
15h13
Atualizada em 12.11.2020 às 15h13

Por mais que tenha se lançado como roteirista de Atividade Paranormal, o nome de Christopher Landon só ganhou renome ao se juntar com a Blumhouse Productions para a franquia A Morte Te Dá Parabéns, repleta de carisma. Enquanto um terceiro filme não sai do papel, o cineasta retoma a parceria com o estúdio de Jason Blum e pratica sua escrita, direção e, claro, humor ácido em Freaky: No Corpo de Um Assassino.

Assim como A Morte Te Dá Parabéns satiriza o uso constante de loops temporais no entretenimento, o novo filme mira no clichê da troca de corpos, e imagina como seria se Sexta-Feira Muito Louca (Freaky Friday, no original) fosse um slasher à la Sexta-Feira 13. A trama segue Millie (Kathryn Newton), uma garota meio sem graça e sem muita personalidade, seja em casa ou na escola, que se torna vítima de um serial killer (Vince Vaughn). Sua vida vira do avesso ao perceber que, ao invés de morrer, apenas trocou de corpo com seu agressor, que se aproveita da nova identidade para continuar cometendo crimes sem levantar suspeitas.

Tudo em Freaky tem aquele gostinho já conhecido de histórias de amadurecimento jovem, o que cria uma sensação de conforto muito proveitosa para ser deturpada em um filme de maníaco. É a versão de pesadelo de um filme do Disney Channel. Entre os dramas pessoais da falta de autoestima e confiança de Millie, com seus poucos amigos e um crush que não lhe dá atenção, há tensão e muito sangue. Nesse último aspecto, Landon não economiza. A última franquia do cineasta tem classificação indicativa de 14 anos, então é visível que aqui, com censura para maiores, ele se aproveita da liberdade para fazer mortes grotescas em gloriosos detalhes. Para os fãs de slashers clássicos, os minutos iniciais, que mostram um grupo de jovens repletos de hormônios sendo assassinados em uma Quarta-Feira 11, são um intenso prato cheio de violência gratuita old school.

Como é de costume no subgênero em que o foco é a inventividade das mortes de um serial killer impiedoso, o filme não se preocupa muito com a lógica, só com a execução. Isso se aplica para muitos títulos de terror em geral, mas aqui é um verdadeiro exercício de o quão desapegado o público está. Freaky é tão esburacado em seu roteiro que é quase impressionante que não se desmancha em suas várias inconsistências, algo que pode dar um gosto amargo na primeira assistida. Mas a ideia parece ser muito mais uma carta de amor aos slashers, que busca evocar o voyeurismo sádico ao mesmo tempo que ri dos exageros que muitos desses longas fazem para alcançar esse objetivo, assim como Pânico fez em 1996.

Enquanto o filme não tem a mesma sagacidade do clássico de Wes Craven, Freaky ainda acerta na acidez para criar uma experiência ridiculamente divertida. Muito disso se dá pelo ótimo elenco, liderado por um Vince Vaughn comprometido em interpretar uma garota de mais da metade de sua idade (e altura).

Ultimamente o ator pode estar se aventurando por projetos bizarros como Confronto no Pavilhão 99 (2017), ou cults como Seberg (2019), mas aqui traz à tona toda sua experiência em inúmeras comédias pastelão. As interações entre Millie - no corpo do assassino - e seus amigos confusos são sempre divertidas, especialmente em contraste com a personalidade atrevida de Josh (Misha Osherovich) e a postura militante de Nyla (Celeste O'Connor). Freaky entende muito bem a bizarrice de ter um homem de 50 anos e quase 2m de altura no papel de uma jovem introvertida de 17 anos, e usa isso para risadas e também momentos de constrangimento máximo.

A parte mais fraca é facilmente Kathryn Newton. A atriz, que já havia trabalhado com Landon em Atividade Paranormal 4 (2012), tem seus momentos, e se sai bem no papel da assassina confiante, mas passa batida entre um elenco verdadeiramente neurótico. É difícil não traçar paralelos com A Morte Te Dá Parabéns, porque a presença blasé da atriz aqui só deixa saudades do carisma gigantesco de Jessica Rothe, par perfeito da escrita sarcástica do diretor/roteirista.

Freaky com certeza é mais divisivo que A Morte Te Dá Parabéns, e também não tem um enorme potencial de franquia, já que tem um conceito bastante limitado que mal é aprofundado aqui. Mesmo assim, em um ano tão sombrio, e em um momento tão parado nos cinemas, o filme é diversão genuína com requintes de homenagem, humor progressista, e sadismo visual.

Freaky: No Corpo de Um Assassino
Freaky
Freaky: No Corpo de Um Assassino
Freaky

Ano: 2020

País: Estados Unidos

Classificação: 16 anos

Duração: 101 min

Direção: Christopher Landon

Roteiro: Christopher Landon

Elenco: Kathryn Newton, Vince Vaughn

Nota do Crítico
Ótimo

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