Imagem de Ford vs Ferrari

Créditos da imagem: Ford vs Ferrari/Disney/Divulgação

Filmes

Crítica

Ford vs Ferrari

Com atuações carismáticas de Christian Bale e Matt Damon, James Mangold cria história sobre emoção da velocidade em meio ao corporativismo

Natália Bridi
17.09.2019
18h32

Emoção é o termo mais associado aos altos e baixos de uma competição. Na vitória ou no fracasso, o potencial humano é explorado ao máximo, assim como seus sentimentos. Ao mesmo tempo, não existe esporte sem um lado prático. Longe de qualquer comoção, há alguém de olho no potencial financeiro da disputa, seja nos campos, nas quadras ou nas pistas.

Ford vs Ferrari é a história dessa relação entre glória e dinheiro. Na década de 1960, buscando mudar a sua imagem com o público, a montadora norte-americana decidiu entrar no ramo das corridas automobilísticas. Sem experiência para levar um carro ao primeiro lugar, precisava encontrar um especialista. Tentaram Enzo Ferrari (Remo Girone), cuja negativa rendeu a rivalidade expressa no título, e acabaram com Carroll Shelby (Matt Damon), um ex-piloto convertido em designer de automóveis de alta performance.

Dirigido por James Mangold com base no roteiro assinado por Jez Butterworth, John-Henry Butterworth e Jason Keller, o filme reproduz toda a adrenalina esperada do universo das corridas de carros enquanto também revela seu lado corporativista. Nos extremos estão o piloto Ken Miles (Christian Bale), o homem que vive pela velocidade, e Leo Beebe (Josh Lucas), o executivo que vive pelo dinheiro e aparência social. Entre eles, os visionários Lee Iacocca (Jon Bernthal), que viu uma oportunidade de atualizar a Ford, e Shelby, que fez do seu amor pelas pistas um negócio.

Dessa dinâmica, Mangold extrai ótimas performances do elenco e cria uma “fábula realista” sobre paixões e inventividade. Bale, livre para explorar todo o potencial praguejador da sua origem britânica, faz de Miles um adorável antissocial de família, enquanto a postura de bom moço de Damon torna Shelby a personificação da lealdade. Os dois são essenciais no contraste com os homens de terno da Ford e estabelecem uma torcida imediata pela vitória nas pistas, humanizando o que seria uma competição entre marcas.

A direção de fotografia de Phedon Papamichael, parceiro de longa data de Mangold (com quem assina Identidade, Johnny & June e Os Indomáveis), torna concretas as intenções narrativas ao captar a urgência por velocidade que alimenta seus personagens. Pela câmera ora rente à pista, ora dentro dos carros, Ford vs Ferrari sustenta todas as perspectivas de uma corrida, pelo olhar de quem compete e de quem faz da vitória uma fonte de lucro. Sobram apenas algumas doses de sentimentalismo hollywoodiano, peça sobressalente em uma história real em que a emoção não deixa deixa de ser um fato.

Nota do Crítico
Ótimo