Fora de Série

Créditos da imagem: Fora de Série/Imagem Filmes/Reprodução

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Crítica

Fora de Série

Estreia de Olivia Wilde na direção é uma carta de amor esperta e divertida à juventude, mas sobretudo à amizade entre mulheres

Mariana Canhisares
14.06.2019
16h35

Duas amigas, uma com um jeitinho mandão e outra mais tímida, determinadas a ter a melhor noite de suas vidas na sua última festa como estudantes do Ensino Médio. Pela premissa, Fora de Série pode até parecer uma versão feminina de Superbad, principalmente considerando que uma das protagonistas, Beanie Feldstein, é irmã de Jonah Hill. No entanto, a estreia de Olivia Wilde à frente de um longa é muito mais do que isso. Com um texto esperto e uma abordagem única da adolescência, a comédia transborda da tela e é difícil não se pegar chorando entre uma risada e outra.

Diferentemente de tantos outros filmes teen, as amigas Amy (Kaitlyn Dever) e Molly (Feldstein) não competem por um interesse romântico, pelas melhores notas ou por popularidade. Na realidade, elas são o ponto máximo de uma parceria. “Quem te permitiu ser tão linda? Quem permitiu que você me deixasse sem fôlego?”, gritam uma para outra em mais de uma ocasião ao longo da trama. A lealdade delas é tão grande que se uma delas sequer considerar se menosprezar, a outra não pensa duas vezes e lista todas as suas qualidades. Esse retrato raro de uma amizade feminina é encantador, principalmente com a química das duas jovens atrizes. Sob a direção de Wilde, Feldstein e Dever estão em perfeita sintonia e, por isso, dão um ritmo incrível aos diálogos e criam situações hilárias a partir deles. Chega a ser impressionante a verdade que as performances de ambas trazem.

Essa preocupação em transmitir a experiência adolescente com fidelidade não é restrita às protagonistas. Ela está em tudo: na naturalidade que todos falam sobre sexo; na representação de jovens LGBTQ sem tratá-los como estereótipos; na inocência e na empolgação de cada nova experiência; e, claro, nos tradicionais julgamentos e boatos entre colegas de escola. Olivia Wilde e o quarteto de roteiristas Emily Halpern, Sarah Haskins, Susanna Fogel e Katie Silberman definitivamente entendem o que é ser jovem, inclusive as especificidades desta nova geração. Por isso, não seria inesperado se Fora de Série se juntasse a Meninas Malvadas e Clube dos Cinco na lista de filmes essenciais para uma festa do pijama. Ele é um reflexo otimista do seu tempo.

Parte dessa leveza vem dos personagens secundários que ganham o público com pouco tempo de tela. Noah Galvin, por exemplo, causa riso a cada pequeno gesto do estudante cult George, não importa a cena. A excentricidade da personagem de Billie Lourd, assim como a falta de malícia e de noção de Jared (Skyler Gisondo) são igualmente cativantes. Isso sem mencionar as divertidas participações de Jason Sudeikis e Jessica Williams. Estamos diante de um elenco diverso e genuinamente engraçado.

Fora de Série é uma verdadeira carta de amor à juventude, em toda a sua loucura e suas constantes descobertas, mas sobretudo à amizade entre mulheres, que se admiram e se apoiam incondicionalmente. Diante do retrato de uma lealdade tão genuína, a vontade de ligar para suas amigas após a sessão é imediata. Independente da idade, todas temos uma Amy e/ou uma Molly para agradecer.

Nota do Crítico
Ótimo