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Fora de Rumo | Crítica

Fora de Rumo

Marcelo Forlani
23.02.2006
00h00
Atualizada em
21.09.2014
13h19
Atualizada em 21.09.2014 às 13h19

Fora de Rumo
Derailed
EUA, 2005 - 110 min.
Ação/Suspense

Direção: Mikael Håfström
Roteiro: Stuart Beattie

Elenco: Clive Owen, Jennifer Aniston, Vincent Cassel, Melissa George, RZA

Estrelar uma série de TV pode trazer fama, dinheiro e até prêmios, mas é também uma maldição da qual poucos atores conseguem se livrar sem cicatrizes profundas. Com suas indicações ao Oscar por Boa noite e boa sorte e Syriana, George Clooney é um raro caso de sucesso. A ex-esposa do seu amigo Brad Pitt, Jennifer Aniston, ainda não chegou lá, mas está se esforçando para deixar Rachel Green (seu personagem em Friends) descansar em paz.

O mais novo veículo nesta jornada é Fora de rumo (Derailed, 2005), suspense que marca a estréia do sueco Mikael Håfström em Hollywood. No filme, o publicitário Charlie Schine (Clive Owen) começa seu dia perdendo o trem que normalmente pega para ir trabalhar e ainda se vê sem a carteira na hora de pagar a passagem. Surge então Lucinda Harris (Aniston), que generosamente se oferece a pagar o bilhete. Conversando no trajeto até Chicago, os dois descobrem que seus fragilizados casamentos se sustentam apenas porque eles têm filhos e não querem vê-los sofrendo com a separação.

O inocente papo vira almoço, saída para um bar e finalmente uma noite em um hotelzinho da cidade. Tudo ia bem, até que algo terrível atinge a vida dos dois. Como não podem ir à polícia sem entregar seu caso extra-conjugal, Charlie e Lucinda se tornam reféns de um golpista (Vincent Cassel). É o tal evento que descarrilha o trem de suas vidas, como diz o título original.

Como estamos falando de um thriller, dizer qualquer vírgula a mais poderia estragar as viradas de mesa criadas no livro homônimo do escritor James Siegel, e transformada em roteiro pelo australiano Stuart Beattie (Colateral). Mas vale citar que há surpresas, mas não existem grandes novidades na forma como as coisas se desenrolam. O filme segue o padrão tanto utilizado pelo mestre Alfred Hitchcock, de transformar os personagens e levá-los aos extremos.

A mudança de clima do primeiro ato para o resto da fita é bastante forte e chega a causar certa estranheza, mas ajuda a montar o clima de tensão que vai prevalecer até o fim. O que atrapalha de verdade é a falta de carisma dos personagens secundários. O diretor não consegue mostrar ao espectador aspectos que permitiriam nutrir qualquer tipo de sentimento com a esposa do Charlie ou sua filha, por exemplo, e isso acaba prejudicando o envolvimento do público com o protagonista em sua jornada de vingança, para reaver a sua vida anterior.

Se o esforço de Clive Owen e Jennifer Aniston não é suficiente para elevar Fora de rumo ao patamar de clássico do gênero, ao menos serve para deixá-lo como uma boa opção de diversão. E quem viu recentemente Dizem por aí..., pode até se surpreender com a atriz. A Lucinda que ela interpreta aqui prova que Anison consegue fazer uma personagem mais sombria e bem diferente da atrapalhada ex-garçonete do Central Perk. Mas o que os fãs de Friends precisam saber antes de entrar no cinema é que o filme é na verdade muito mais do ator inglês do que dela.

Nota do Crítico
Regular