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Crítica

Flores do Oriente | Crítica

Christian Bale estrela o drama de guerra de Zhang Yimou sobre o Massacre de Nanquim

Marcelo Hessel
24.05.2012
19h00
Atualizada em
29.06.2018
02h34
Atualizada em 29.06.2018 às 02h34

Flores do Oriente (The Flowers of War), filme do cineasta Zhang Yimou (Herói, A Maldição da Flor Dourada) falada em inglês e mandarim que representou - sem sucesso - a China na disputa por uma vaga no Oscar 2012, não é um típico drama de guerra. Enquanto o gênero trata frequentemente da finitude das coisas, o cinema de Yimou vai no sentido contrário, em busca de um desabrochar - é o cineasta do encantamento no gênero do desencanto.

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A premissa dá a entender que o principal despertar de Flores do Oriente está reservado ao personagem de Christian Bale, John, um agente funerário que chega à cidade de Nanquim para enterrar o recém-falecido padre da paróquia católica local. Transcorre a segunda guerra sino-japonesa, em 1937, e a então capital da China está sendo destruída pelos japoneses. John logo percebe que o enterro do padre deveria ser a menor de suas preocupações; rapidamente a igreja onde ele se protege em Nanquim com uma dúzia de crianças e um grupo de prostitutas vira alvo das forças de ocupação.

É clássica a transformação pela qual John passa, a do ocidental niilista - Bale tem evidente prazer em interpretar o beberrão mercenário que não acredita no Paraíso e menos ainda em redenção em vida - que diante do horror da guerra reaprende sua humanidade. O principal desabrochar de Flores do Oriente não é o dele, porém, e sim o das crianças. Hoje em dia é um clichê na crítica dizer que certo filme fala do "fim da inocência" (todo filme, em algum grau, trata disso), mas no caso de Yimou é incontornável. Todos os seus filmes relacionam despertar e fim da inocência, e com Flores do Oriente isso se torna dolorosamente literal.

O roteiro é baseado no romance The 13 Women of Nanjing, do autor chinês Yan Geling, e o famoso Massacre de Nanquim - quando milhares de mulheres foram estupradas e mortas pelas tropas japonesas que invadiram a cidade em 1937 - já rendeu diversos filmes. A versão de Yimou não evita mostrar a violência (é a visão do sangue de um cadáver que marca a virada do personagem de Bale), mas se concentra no amadurecimento forçado das crianças, expostas à demonstração mais brutal do que significa ser adulto: a realidade da guerra.

Como é de hábito, Yimou floreia tudo com muitas cores, indiscriminadamente; o vitral da igreja, que filtra a imagem romântica que a menina faz das prostitutas, é um jogo visual bem pensado, já a explosão do prédio da tecelagem exagera no carnaval. Os solos de violino de Joshua Bell também não deixam esquecer que estamos no terreno do sentimentalismo, e os diálogos entre as prostitutas e as crianças são didáticas além do aceitável. Ainda assim, Flores do Oriente oferece um ponto de vista que não se costuma ver em filmes de guerra; a possibilidade de tirar do horror uma lição que não seja, simplesmente, a esperada negação do horror, mas algo mais complexo.

Flores do Oriente | Trailer

Flores do Oriente | Cinemas e horários

Flores do Oriente
Jin Líng Shí San Chai
Flores do Oriente
Jin Líng Shí San Chai

Ano: 2011

País: China

Classificação: 14 anos

Duração: 146 min

Direção: Yimou Zhang

Roteiro: Heng Liu

Elenco: Christian Bale, Paul Schneider, Ni Ni, Tong Dawei, Xinyi Zhang, Shigeo Kobayashi, Atsuro Watabe, Shawn Dou

Nota do Crítico
Bom

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