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Crítica

Extremo Sul | Crítica

Documentário acompanha cinco alpinistas profissionais em uma expedição ao Monte Sarmiento

ÉF
16.06.2005, às 00H00.
Atualizada em 14.11.2016, ÀS 17H07

Extremo Sul
Extremo Sul
Brasil - 2005 - 92 min.
Documentário

Direção: Mônica Schmiedt e Sylvestre Campe
Roteiro: Jorge Durán

Participações: Nélson Baretta, Ronaldo Franzen Jr., Eduardo Hugo López, Walter Rossini, Júlio Contreras

Não há dúvidas de que existem dois filmes distintos dentro de Extremo Sul (2005). A começar pelos diretores. Mônica Schmiedt foi produtora executiva dos sulistas filmes de época Anahy de las Misiones (1997) e O Quatrilho (1995), entre outros. Em 1994, abriu uma empresa de filmes para televisão e cinema, por qual produz seus trabalhos desde então. Este é seu segundo filme como diretora e produtora, depois do média-metragem Antártida, o Último Continente (1997). Já Sylvestre Campe é um alemão que vive no Brasil há mais de uma década. Passou sua adolescência com a família em um veleiro, viajando ao redor do mundo e ajudando o pai a operar o som e a câmera ao documentar a viagem. Hoje dirige e fotografa filmes de aventura e é um especialista em filmagens em montanhas de gelo e rocha. Realiza documentários para canais brasileiros e é cinegrafista de canais de televisão europeus e americanos. Esta é sua segunda experiência na direção e fotografia para cinema, depois do documentário Ascent of the Lhotse Shar, filmado no Himalaia e lançado em 1990.

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Extremo Sul reúne traços claros da trajetória profissional de ambos. É uma mistura do registro histórico de uma expedição colonizadora, condensado num clima de aventura e esportes radicais que permeia todo o filme.
O documentário acompanha cinco alpinistas profissionais em uma expedição ao Monte Sarmiento, no extremo sul da Patagônia chilena (Terra do Fogo). Uma região de difícil acesso, conhecida por sua beleza, pela baixa temperatura (de 10ºC a -5ºC) e pelos riscos que oferece. Seus cumes só foram escalados três vezes, sendo que o topo principal foi atingido apenas uma única vez, em 1956. Em março de 2003, após 13 dias de navegação, o grupo formado pelos brasileiros Barretta e Nativo, pelos argentinos Tato e Walter e pelo chileno Julio, consegue montar um acampamento em Ilha Grande da Terra do Fogo. Uma equipe formada por 26 pessoas, entre técnica, tripulação e alpinistas de apoio, acompanhou os aventureiros.

De radical mesmo, o filme exibe muito pouco. Há certos experimentos de câmera, como mudanças repentinas de enquadramentos nos rostos dos esportistas, cenas paisagísticas nítidas intercaladas com imagens saturadas em planos fechados, variações cromáticas no decorrer da projeção, entre outras "ousadias". Mas no conjunto, Extremo Sul mantém uma linguagem cinematográfica conservadora, procurando apenas fazer uma radiografia passiva da missão bandeirante.

Na primeira metade, o filme causa um certo cansaço a quem não é fã de esportes e práticas do gênero. O tom predominante deste trabalho é o de videoclipe: música de fundo em alto e bom som, contornando os depoimentos fragmentados dos alpinistas, principalmente de Nelson Baretta "Pepe", responsável por capitanear a gélida tarefa. O filme centra em captar o making of da maratona montanhesca: os preparativos iniciais, as expectativas do grupo, trazendo também algumas informações técnicas que não dialogam muito com o público leigo no assunto. Lembra bastante aqueles programas esportivos dominicais e tem também aquela aura "trip clip" de Mochilão MTV e quetais.

Entretanto, é na segunda metade que Extremo Sul fica mais saboroso. Os hiatos produzidos são mais um mérito do que um problema. Por estar muito próxima, a câmera revela de perto os ruídos entre os integrantes da patota. A "união" que consagra o grupo passa a ser apenas uma formalidade. E aí o documentário aproxima-se um pouco das premissas de um reality show, em que as diferenças é que conduzem a trama. Todas as rupturas lingüísticas do começo, como a tela dividida em quatro, até então meros exercícios de montagem, passam a fazer sentido. O documentário provoca e questiona, ainda que na condição de voyeur, o individualismo em detrimento do conjunto. O que era pra ser uma equipe coesa passa a ser apenas a soma das partes.

Essa mudança tonal torna-se fundamental. O filme deixa de assumir o compromisso da glorificação, de estar colado à conquista pioneira de território (imagem servindo de comprovante fiscal, como nos áureos tempos do homem pisando na Lua). Nesse ponto, Extremo Sul passa a ser o manuscrito da conivência, e se mantém coerente com essa nova proposta. Como se não bastasse, há ainda momentos irônicos no filme, como o acréscimo de imagens documentais de expedições anteriores, bem-sucedidas, embora realizadas por um número bem menor de aventureiros. O arquivo histórico projetado de um inglês alcançando seu objetivo mostra que ainda há um abismo muito grande entre o sucesso da União Européia e o desmantelamento causado por brigas internas do Mercosul.

Nota do Crítico

Bom
Érico Fuks

Extremo Sul

Extremo Sul

2005
17.06.2005
92 min
Documentário
País: Brasil
Classificação: LIVRE
Direção: Sylvestre Campe, Mônica Schmiedt
Onde assistir:
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