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Crítica

Esposa de Mentirinha | Crítica

Mentira é chamar isso de comédia...

Marcelo Forlani
03.03.2011
18h30
Atualizada em
21.09.2014
14h17
Atualizada em 21.09.2014 às 14h17

Adam Sandler faz sempre o papel do coitado perfeitinho. É quase um Didi Mocó hollywoodiano, com a diferença que ele se dá bem no final. Jennifer Aniston faz sempre o papel da desajeitada perfeitinha. Praticamente uma Cinderella real. Dito isso, prever cada passo de Esposa de Mentirinha (Just Go With It, 2011) é mais fácil do que contar o número de risadas genuínas que a comédia romântica produzirá - e não são muitas.

No início da história, Sandler é Danny, um médico que descobre no dia de seu casamento que a noiva o trai e só está interessada no seu dinheiro e status. Foge da cerimônia direto para um bar, onde descobre o poder mágico do Um anel, no caso, a aliança. Ao dizer que é casado, sim, mas está prestes a se separar porque a esposa o trai, bate nele ou comete atrocidades do tipo, ele ganha a afeição de qualquer mulher, que usa seu instinto maternal para cuidar daquela pobre alma. É a desculpa ideal também para ele manter os relacionamentos em apenas uma noite, afinal, "é casado". É o mundo perfeito, imagina.

Esposa de Mentirinha

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Até o dia em que conhece a garota ideal, Palmer (Brooklyn Decker), linda, jovem e inteligente. O problema é que naquela noite o anel não estava no seu dedo, mas sim no seu bolso, e ela começa a achar que foi enganada por um cara casado que age pelas costas da esposa. Começa então a teia de mentiras, que vai acabar envolvendo a sua assistente e secretária Katherine (Jennifer Aniston), que vai ter que se passar pela esposa de mentirinha do título nacional.

Pernas curtas e sem graça

Por mais que o filme se esforce para criar situações engraçadas, o investimento financeiro de Danny para manter sua mentira extrapola qualquer limite da realidade. Sabendo que ele não está na posição de barganhar, Katherine e até seus filhos e o primo mais próximo de Danny, Eddie (Nick Swardson), mergulham na mentira aproveitando o cartão de crédito "adamantium" do bem sucedido cirurgião plástico. De sapatos e roupas, a dias em parques de diversões até chegar a uma viagem de luxo para o Havaí, Danny só vai vendo o dinheiro descendo o ralo.

Até aí, tudo bem, se não houvesse no meio do roteiro buracos ainda maiores do que este na conta bancária do médico apaixonado. Se Katherine aparece pela primeira vez como a "bitch" descontrolada que anda de chauffeur dando em cima de todo mundo, os roteiristas (e ela!) depois esquecem do personagem, que acaba sendo uma pessoa mais normal e menos odiável, que está mais preocupada com os filhos e não apenas com si mesma, como no começo.

E como mentira só leva a mais mentira, entra em cena também Devlin Adams (Nicole Kidman), nêmesis de Katherine nos seus dias de faculdade. E agora uma verdade deve ser dita: Kidman deveria se manter o mais longe possível das comédias. Para ela, comédia é sinônimo de caricatura, e ao se esforçar para parecer engraçada, pode causar risos nervosos de vergonha alheia por tamanho papelão. #prontofalei

Por tudo isso, não se deixe enganar pelo sentimento final do viveram-felizes-para-sempre que permeia as comédias românticas, o cabelo sempre perfeito da Jennifer Aniston ou a cara de cachorro abandonado de Adam Sandler. Qualquer sentimento positivo aqui segue a tendência de ser apenas mais uma mentira.

Nota do Crítico
Ruim