Escolha ou Morra traz conceito instigante com trama fraca e descartável

Créditos da imagem: Divulgação/Netflix

Filmes

Crítica

Escolha ou Morra traz conceito instigante com trama fraca e descartável

Com elenco desanimado, produção desperdiça o terror para focar em estética

Omelete
3 min de leitura
Gabriel Previtale
18.04.2022, às 15H27
ATUALIZADA EM 18.04.2022, ÀS 16H06
ATUALIZADA EM 18.04.2022, ÀS 16H06

Mais um título bebendo das fontes retrôs com o objetivo de repaginar a estética de conceitos já explorados no cinema, dessa vez unindo o vintage ao terror em um jogo de perguntas e consequências. Assim Escolha ou Morra chega ao catálogo da Netflix, com uma trama que promete tensão, mas deságua em tédio e aleatoriedades que não chegam a lugar nenhum. 

Os eventos acompanham Kayla (Iola Evans) uma jovem aspirante a programadora que está passando por várias dificuldades na vida, como falta de dinheiro e uma mãe mentalmente instável. Ela se une ao seu amigo Isaac (Asa Buttefield, de Sex Education), amante da cultura pop dos anos 80, e os dois dão início, por acaso, a um obscuro jogo retrô de computador. Este jogo, no entanto, traz situações reais com consequências mortais aos seus jogadores, atraídos por um prêmio de mais de 100 mil dólares.

A premissa não é das mais inovadoras, e o roteiro apressado e esburacado não permite que a história se desenvolva a ponto de tornar-se algo intrigante ou memorável. Até mesmo as fases do jogo que a protagonista deve enfrentar – que deveriam ser o ponto alto da trama – não demonstram criatividade e nem causam impacto neste novo terror dirigido por Toby Meakins.

Sem qualquer tipo de preocupação com o gênero proposto ou fio narrativo, a história tenta fortemente se apoiar no gore (que também não é tão gore assim) para se fazer valer, mas não consegue. À exceção da primeira, as mortes da trama beiram o cômico, sem conseguir se aproximar de uma sensação de medo ou de repulsa. É válido apontar que uma das poucas passagens empolgantes, envolvendo a mãe de Kayla, não é mostrada explicitamente para o público – e prova que foi uma decisão perspicaz deixar o público usar a imaginação. 

No que se refere à história, pouco se tem de informação sobre a razão do jogo existir, apenas próximo do fim temos algo mais concreto que daria algum sentido à trama, mas que acaba não fazendo diferença quando é revelado. A linha entre o sobrenatural e a tecnologia também é nebulosa, o que não ajuda o filme.

As motivações também são frágeis e confusas. Ora protagonista parece interessada no prêmio, ora apenas curiosa pelo game, já seu parceiro coadjuvante parece ignorar todo risco mortal da brincadeira para poder passar tempo com Kayla, na esperança de acontecer algo romântico. São decisões muito desconexas, que não parecem terem sido escritas para um roteiro que envolve consequências tão sérias. O elenco como um todo parece bem desanimado, com atuações que não empolgam; os diálogos bobos tampouco colaboram com o clima de tensão. 

O único ponto do filme que se sobressai como bem-sucedido é o conceito estético do game, que consegue ser bem aplicado durante os desafios. Há ainda um tom nostálgico que poderia elevar a produção, se não fosse o número de falhas e o sentimento de tédio que perdura até os minutos finais. 

Posicionando Escolha ou Morra na lista de títulos dispensáveis da plataforma, o desfecho para onde o filme tenta se encaminhar nos minutos finais, acaba piorando algo que não estava completo e sólido. A premissa poderia ter sido genialmente trabalhada em um filme interativo, como Black Mirror: Bandersnatch, da própria Netflix. Ao fim, salvaram-se a estética e nostalgia dos jogos antigos, mas infelizmente Escolha ou Morra não deixa muitas opções para ser levado a sério.

Escolha ou Morra
Choose or Die
Escolha ou Morra
Choose or Die

Ano: 2022

Elenco: Asa Butterfield

Nota do Crítico
Regular

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