Foto de Entre Facas e Segredos

Créditos da imagem: Entre Facas e Segredos/Paris/Divulgação

Filmes

Crítica

Entre Facas e Segredos

Com elenco afiado, Rian Johnson cria divertida história de mistério que é muito mais do que aparenta ser

Natália Bridi
13.09.2019
17h54

A qualidade de uma história de mistério não depende apenas da sua solução. A resposta, afinal, precisa ser lógica, como explica um famoso detetive. O que não é possível sem uma boa construção narrativa de quem, o quê, onde, como, quando e por quê.

Em Entre Facas e Segredos (Knives Out), Rian Johnson disseca esse conceito ao não guiar o público pelos olhos do investigador. Benoit Blanc (Daniel Craig), sua homenagem bem-humorada ao Hercule Poirot de Agatha Christie, é fundamental, mas nunca o dono do ponto de vista. É Marta (Ana de Armas), a enfermeira do milionário Harlan Thrombrey (Christopher Plummer), o vínculo entre o crime e o público.

A vítima é um famoso autor de livros de mistério, sua casa é, como descreve o policial vivido por Lakeith Stanfield, um tabuleiro de Detetive, e todos os membros da sua família são, é claro, altamente suspeitos. Ao mesmo tempo, esses elementos tradicionais são dispostos com segundas intenções. O interesse de Johnson, que assina o roteiro e a direção, não é apenas referenciar clássicos do gênero, mas estudá-los enquanto autor — e nesse processo falar sobre meritocracia e imigração nos EUA.

O elenco — que também inclui Toni Collette, Jamie Lee Curtis, Chris Evans, Don Johnson, Michael Shannon, Katherine Langford e Jaeden Martell — sustenta o texto, assumindo as caricaturas que tornam a experiência de Entre Facas e Segredos ainda mais divertida. Brincadeira que Steve Yedlin, diretor de fotografia parceiro de Johnson desde Brick, capta com precisão, observando de perto expressões e olhares duvidosos para revelar a verdade sobre os personagens.

O objetivo, logo se descobre, não é resolver o crime, mas entendê-lo. Johnson usa o mistério para criar uma alegoria eficiente sobre relações sociais, com um subtexto muito mais complexo do que as prazerosas reviravoltas do roteiro. Fazendo jus ao gênero, sua conclusão — uma amarra perfeita entre a primeira e última cena — é lógica. Porém, considerando como o mundo anda, muita gente não vai entender.

Nota do Crítico
Excelente!