Addison Rae e Tanner Buchanan em Ele é Demais

Créditos da imagem: Netflix/Divulgação

Filmes

Crítica

Ele é Demais não tem esperteza do original, mas fórmula ainda funciona

Remake da Netflix acerta ao levar o conceito superficial para o mundo digital

Julia Sabbaga
27.08.2021
11h14

O conceito de makeover, principalmente em comédias e comédias românticas, é irresistível. É sempre reconfortante assistir àquela montagem rápida de eventos que transforma um personagem esquisito em um sujeito irresistível, mas é inegável que o conceito se tornou questionável. Por isso é tão curioso que a Netflix tenha escolhido Ela é Demais, comédia romântica de 1999 absolutamente baseada nessa premissa (e por sua vez inspirada em Minha Bela Dama), para trazer para 2021. Era esperado que a nova versão trouxesse um viés moderno à transformação, mas Ele é Demais faz pouco mais do que trocar os gêneros do casal em sua nova adaptação da história. 

Isso faz diferença por si só, porque talvez fosse ofensivo fazer um homem popular transformar uma artista excêntrica na rainha do baile nos dias de hoje. Mas Ele é Demais simplesmente substitui a ideia de que tirar os óculos de uma mulher torna-a instantaneamente atraente pelo corte de cabelo de um homem, que o torna imediatamente gato. A surpresa é que, como o primeiro, o produto final é carismático mesmo assim, e constrói seus personagens bem o suficiente para que o espectador torça pelo bem do casal até o fim.

Existe um apelo específico em trazer Addison Rae, estrela do TikTok, para viver Padgett, garota popular da escola que aposta conseguir transformar um deslocado em rei do baile em apenas alguns dias. Isso funciona precisamente para justificar o conceito da importância de aparência externa, já que Padgett é uma influencer que vive da forma que se apresenta para o mundo, fazendo toda a premissa superficial ter um fundamento. É uma pena, no entanto, que Rae careça de habilidades de atuação. É bem claro que a atriz sabe o que fazer quando fala para o seu iPhone, mas seu desconforto em qualquer outra cena - e sua dificuldade de parecer natural - prejudica a fluidez do filme, que acaba caindo nos ombros de seu par, Tanner Buchanan

Auxiliado principalmente por Annie Jacob (Nisha), Buchanan batalha em levar o filme pra frente, principalmente porque um dos maiores desafios de Ele é Demais é ter poucos talentos em seu elenco. Ao contrário de seu antecessor, que contava com um apoio absolutamente capaz (formado por nomes como Matthew Lillard, Kevin Pollak, Anna Paquin e Kieran Culkin), Ele é Demais une adolescentes que não sustentam nenhuma acidez, fazendo a nova adaptação muito mais quadradinha do que a comédia de 1999. Apesar de tradicional, Ela é Demais era autoconsciente, tempero que certamente teria ajudado o novo filme. 

Nesse sentido, a produção da Netflix também perde a oportunidade de utilizar a estrela do filme original, Rachael Leigh Cook, de forma espertinha, colocando a atriz como a mãe da protagonista, que está lá para oferecer conselhos genéricos. O filme compensa isso com a aparição de outra estrela do filme original, construída como uma surpresa revelada apenas no baile, que entrega não só a melhor performance como as melhores piadas de Ele é Demais. 

Dito tudo isso, a fórmula do makeover, da aposta e do aprendizado sobre a beleza interior ainda funciona no remake, e por mais que ele tropece na emulação do original, Ele é Demais ainda sabe abrir um sorriso no espectador e pesar a doçura de forma certeira. Tentar fingir que vivemos em um mundo onde a beleza exterior não importa seria cínico demais, e a nova comédia romântica soube contornar isso levando a história para o mundo das redes sociais, onde poucas coisas importam mais. 

Ele é Demais
He's All That
Ele é Demais
He's All That

Direção: Mark Waters

Elenco: Tanner Buchanan, Rachael Leigh Cook, Madison Pettis, Addison Rae

Nota do Crítico
Bom

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