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Crítica

Dupla Perigosa tem ação decente, mas piadas ruins e clímax pior

Angel Manuel Soto até tenta, mas é difícil salvar este filme do Prime Video

Omelete
3 min de leitura
28.01.2026, às 06H30.
Cena de Dupla Perigosa (Reprodução)

Créditos da imagem: Cena de Dupla Perigosa (Reprodução)

Não acho que estou dando uma opinião controversa ao dizer que Angel Manuel Soto é, de fato, um bom diretor. O porto-riquenho, que passou uma década fazendo curtas antes de ganhar notoriedade com Twelve (2020) e ser recrutado por Hollywood para Besouro Azul (2023), tem câmera dinâmica e inventiva, impulso criativo comendável que o leva a brincar com luzes e cores em sequências que poderiam ser protocolares, e tende a encenar seus filmes de maneira bem mais “soltinha” do que muitos de seus contemporâneos.

Ele traz tudo isso para Dupla Perigosa – e, em alguns momentos, os talentos dele se alinham a um elenco inegavelmente carismático para gerar um filme que se prova passatempo mais do que aceitável, especialmente para os parâmetros dos filmes originais de streaming. Mas aí, é claro, os seus personagens precisam abrir a boca.

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Para ser totalmente justo: as coisas que eles falam, ao que tudo indica, não vieram da cabeça de Soto. O roteiro de Dupla Perigosa é assinado por Jonathan Tropper, que trabalhou com o astro do filme, Jason Momoa, na série See, e também escreveu o esquecível Projeto Adam para a Netflix. É dele, portanto, a culpa pela conspiração atribulada e sem sentido que os dois protagonistas vão desvendando, assim como as piadas mal-passadas disfarçadas de humor nessa comédia de ação.

Aqui, James Hale (Dave Bautista) e Johnny Hale (Momoa) são irmãos de temperamentos opostos, que se reúnem pela primeira vez em décadas no Havaí após a morte do pai, um detetive particular que – eles logo descobrem – estava investigando o ricaço Robichaux (Claes Bang) e seus apoiadores da Yakuza, autores de um plano nefasto para roubar terras ancestrais de tribos havaianas. Adicione nesta receita uma reviravolta que é possível ver chegando há quilômetros de distância (nos primeiros 10 minutos de filme, se você prestar atenção), e você tem uma trama que pouco foge do marasmo.

A única ideia consistente que o longa tem para quebrar esse clima, infelizmente, é usar o humor. E, quando eu digo humor, quero dizer qualquer coisa juvenil que passe pela cabeça de Jason Momoa enquanto ele chuta bundas e tenta desenvolver algum tipo de harmonia cênica com Dave Bautista (que, salvo um ou dois gracejos, está mais concentrado em construir um personagem do que em entrar na brincadeira). O quanto do que sai da boca de Momoa durante o filme é invenção do próprio ator, e o quanto estava no roteiro de Tropper, nunca vamos saber – até porque dificilmente alguém vai se importar o bastante para descobrir.

Os melhores respiros de Dupla Perigosa, enquanto isso, são as cenas de ação (ou boa parte delas, pelo menos). Especialmente ali no miolo do filme, o diretor Soto, seu montador Michael McCuster (Logan) e sua equipe de dublês para lá de capaz demonstram senso de espetáculo, talento para traduzir movimento e impacto físico em tela, e uma mão cheia de boas ideias visuais. Dupla Perigosa entretém na adrenalina porque nunca repete um truque: em um momento, acompanhamos Momoa despachando capangas da Yakuza em take único na sua sala de estar; no outro, Morena Baccarin está sendo perseguida por um helicóptero enquanto dirige uma van – uma cena que não economiza explosões nem cortes.

Talvez já fosse o bastante para sustentar a atenção de um público distraído pelos seus celulares, mas Dupla Perigosa também decide jogar esse trabalho no lixo quando chega ao seu clímax, um confronto/operação de resgate entre os irmãos e Robichaux na mansão do vilão. Ao contrário do que propôs no restante do longa, aqui Soto se rende à baixa iluminação, à montagem confusa, ao impacto barato da violência… a tudo, enfim, que define o cinema de ação pressão baixa que virou o arroz-e-feijão do streaming. Uma decepção que acaba tendo gosto ainda mais amargo porque nos prometeu, por um instante, que poderia ser algo diferente.

Nota do Crítico

Dupla Perigosa

The Wrecking Crew

2026
124 min
País: Nova Zelândia, EUA
Direção: Ángel Manuel Soto
Roteiro: Jonathan Tropper
Elenco: Claes Bang, Morena Baccarin, Stephen Root, Jason Momoa, Dave Bautista, Temuera Morrison
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