Dupla Explosiva 2 sobe o volume e tenta ganhar no exagero

Créditos da imagem: Lionsgate/Divulgação

Filmes

Crítica

Dupla Explosiva 2 sobe o volume e tenta ganhar no exagero

Ryan Reynolds e Samuel L. Jackson voltam seguindo os protocolos da continuação amplificada

Marcelo Hessel
26.07.2021
16h46

A regra das continuações em Hollywood normalmente pede que se multiplique o que deu certo no primeiro filme, mas o que tinha funcionado no primeiro Dupla Explosiva mesmo? A memória falha no meio de tantos filmes iguais de atiradores com mira olímpica, corre-corre anedótico e títulos gerados automaticamente. Este Hitman’s Wife’s Bodyguard não se chama Trinca Explosiva nem nenhum outro nome que tentaria manter minimamente o espírito de galhofa do título original - os tempos de crise estão bicudos então vai só Dupla Explosiva 2 mesmo, acrescido ao subtítulo E a Primeira-Dama do Crime.

O nome esquecível em português não deixa de fazer justiça ao que a continuação oferece, de qualquer forma. Dentro da norma de amplificar as coisas, desta vez a dinâmica de contrastes entre Ryan Reynolds e Samuel L. Jackson ganha o reforço fixo de Salma Hayek. Se Reynolds fazia no primeiro filme o guarda-costas de tipo certinho e arrumado cuja rotina é anarquizada pelo assassino desbocado interpretado por Jackson, Hayek veste aqui seu melhor estereótipo de matrona destemperada para atuar duas notas acima dos dois. Ela e o vilão vivido por um Antonio Banderas oxigenado dão o tom exagerado de kitsch latino, e a Jackson e Reynolds só resta dançar conforme a salsa.

Para Ryan Reynolds isso não parece ser um grande desgaste, porque depois do sucesso de Deadpool o ator transformou em modus operandi o seu jeito de atuar como se estivesse o tempo todo quebrando a quarta parede, comentando em voz alta para si mesmo o absurdo que é estar em variadas situações-limite. Dupla Explosiva 2 se beneficia disso nos momentos em que arrisca algo mais criativo, não só brincando com a perspectiva do protagonista (cujo relato entorpecido nem sempre é confiável) mas principalmente tratando Reynolds como um boneco de pano feito para ser jogado de um lado para o outro. Eu acho que diz muito sobre o cinema americano do século 21 que tenhamos substituído Jim Carrey por Ryan Reynolds nesse tipo físico de pastelão, como se ninguém fosse reclamar da troca.

Se por um lado são Banderas e Salma Hayek que dão o tom do filme como um todo, aproximando Dupla Explosiva 2 de um James Bond farsesco da era Roger Moore, a vocação de Reynolds para o humor autorreferente acaba contaminando os demais. Então dá-lhe tiradinha quando Morgan Freeman entra em cena e alguém elogia sua voz de narrador, ou quando Banderas cita uma fala de Scarface para posar de mafioso superarmado. Há filmes que tratam essas citações pop como uma metralhadora de referências (como o citado Deadpool) e há filmes como Dupla Explosiva 2 que recorrem a isso porque, bem, é o caminho mais fácil a tomar.

De resto o que a continuação oferece é uma sucessão de viradas, umas mais espirituosas que outras, permeadas com todos os “fucks” que a censura R permite. O roteiro dos irmãos Brandon e Phillip Murphy não pretende enganar ninguém e trata a exposição como uma obrigatoriedade, entregue curiosamente sempre com a presença de uma equipe de repórteres no local, narrando para o espectador o que estamos vendo e que personagens vão participar da cena. O recurso é tão cara de pau que quase ganha status de piada, num filme que no geral carece delas.

 

Dupla Explosiva 2: E a Primeira-Dama do Crime
Hitman's Wife's Bodyguard
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Nota do Crítico
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