Downton Abbey

Créditos da imagem: Downton Abbey/Perfect World Pictures/Divulgação

Filmes

Crítica

Downton Abbey

Com glamour elevado para a telona, longa tem charme para agradar fãs e novos espectadores

Julia Sabbaga
24.10.2019
10h55

Não é preciso ser fã de Downton Abbey para acompanhar a trama de seu longa, produção que reuniu o elenco da série em uma nova história, escrita pelo criador Julian Fellowes e dirigida por Michael Engler. Tudo que é preciso saber é esclarecido de modo sutil, e o que dispensa explicações fica encaixado na trama, sem dificuldades. Isso acontece, em grande parte, porque Downton Abbey tem um charme tão cativante que problematizações e questionamentos são facilmente deixados de lado.

Na nova produção, os residentes de Downton recebem a notícia de uma visita real, e enquanto os moradores dos andares de cima se apressam para organizar os preparativos, os criados dos andares debaixo tentam encontrar um jeito de não serem substituídos pelos funcionários da Coroa. A trama é básica, mas complementada por romances paralelos e questões políticas, tudo que se passa em duas horas de longa poderia preencher uma temporada inteira. Felizmente, Fellowes e Engler acertaram no equilíbrio, fazendo com que o longa não soe nem como uma trama apressada de oito capítulos nem um longo episódio arrastado.

Downton Abbey tem tudo que você espera de um retrato das intrigas da aristocracia, com carisma o suficiente para nunca ser arrogante demais. Mesmo quem não se envolve no conflito de Mary (Michelle Dockery), eterna preocupada com o legado de Downton, ou simpatiza com os problemas no relacionamento de Edith (Laura Carmichael), pode ser conquistado pelas tramas mais terrenas dos criados e suas relações. Se nenhum dos fatores agrada, é difícil encontrar quem não se deixe conquistar pela personalidade azeda de Violet Crawley (Maggie Smith), que arremata qualquer cena com conclusões e pontadas impiedosas. Mas nem tudo é tão superficial quanto parece; Fellowes faz um trabalho exemplar em incluir na trama conflitos reais - que envolvem republicanismo e homofobia - de forma genuína. Mesmo assim, a política não rouba a cena, dominada por copos de cristais e vestidos deslumbrantes.  

Tudo isso funciona tão bem porque é envolto em um visível cuidado na produção, que impressiona na parte técnica. Tudo que foi retratado na série chega ao cinema com um peso maior. A trilha sonora soa mais imponente e a fotografia tira proveito do orçamento muito bem. Mas nada funcionaria sem o retorno do elenco, que chama atenção principalmente no trabalho de Maggie Smith, Michelle Dockery e Jim Carson, mas é complementada pela adição da ótima Imelda Staunton, que representa uma nova rival para Violet, e David Haig, o insuportável líder dos criados do Rei e Rainha.

Entrar no mundo de Downton Abbey é esquecer conflitos terrenos. Por mais que ele queira convencer que se passa no mundo real, é a fantasia glamorosa e as intrigas dramáticas que elevam sua produção, e esquecer a realidade faz parte do apelo da produção. Se deixar levar por Downton Abbey é não questionar criados que fazem questão de servir ou tremer junto aos nobres quando um funcionário se dirige à Rainha, esquecendo-se de sua posição. Tudo faz parte de uma experiência única, que funciona como um conto de fadas, e faz isso muito bem.

Nota do Crítico
Ótimo