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Créditos da imagem: Dolemite is My Name/Netflix/Divulgação

Filmes

Crítica

Dolemite Is My Name

História de perseverança do comediante Rudy Ray Moore é o caminho de volta perfeito para Eddie Murphy, que também traz Wesley Snipes em papel hilário

Natália Bridi
09.09.2019
17h36
Atualizada em
10.09.2019
11h09
Atualizada em 10.09.2019 às 11h09

Eddie Murphy sabe navegar bem entre o sucesso e o fracasso. De Um Tira da Pesada a Pluto Nash, o comediante já ascendeu, caiu e ascendeu tantas vezes que o movimento se tornou uma constante na sua carreira. Como seus últimos trabalhos no cinema — Mr. Church, de 2016, e As Mil Palavras, de 2012 — foram fracassos de público e crítica, é chegada a hora de voltar e Dolemite é Meu Nome é o caminho da vez.

O filme de Craig Brewer baseado na vida do comediante Rudy Ray Moore é um projeto de longa data de Murphy, que há anos havia se encontrado com os roteiristas Scott Alexander e Larry Karaszewski, mas sem conseguir o financiamento para tirar a ideia do papel. A oportunidade ressurgiu quando Alexander e Karaszewski começaram a colher os frutos do sucesso de outro trabalho, American Crime Story: O Povo Contra O.J. Simpson, o que levou a uma bem-sucedida reunião com a Netflix.

O processo lembra o vivido pelo próprio Moore para levar o seu Dolemite para o cinema. Foi já na meia-idade que ele encontrou uma rota para o sucesso ao usar o folclore das ruas de Los Angeles para criar o personagem, um cafetão desbocado, dono de boate e lutador de caratê. O filme segue o seu processo de transformação para o reconhecimento, do contrato com uma gravadora ao desejo de ver a si mesmo eternizado na tela grande.

A experiência de Murphy com os dois extremos da fama lhe dá a base perfeita para que a sua versão de Moore/Dolemite ganhe consistência dramática, mesmo que o tom geral do filme seja cômico. Também adicionam carisma à proposta o bom elenco de apoio - que inclui Keegan-Michael Key, Mike Epps, Craig Robinson, Tituss Burgess, entre outras boas participações especiais. Destaque para um debochadíssimo Wesley Snipes como D’Urville Martin, o ator e diretor de Blaxploitation, e para Da’Vine Joy Randolph como Lady Reed. O arco da comediante, descoberta por Moore, ameniza as boas doses de sexismo e objetificação necessárias para contar a história de Dolemite, um cafetão que sempre encontrava-se rodeado de “peitinhos”, afinal.

O figurino desenvolvido por Ruth E. Carter, a vencedora do Oscar por seu trabalho em Pantera Negra, embala tudo em estampas e cores vivas, o que somado à trilha sonora, com tudo o que o funk americano tem a oferecer, faz do filme uma experiência contagiante. Dolemite é o nome dele e no retorno de Murphy aos holofotes, uma nova geração vai conhecê-lo.

Nota do Crítico
Ótimo