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Crítica

Divergente | Crítica

Jogos Vorazes light pede desobediência com moderação

Marcelo Hessel
17.10.2014, às 14H01
ATUALIZADA EM 29.06.2018, ÀS 02H36
ATUALIZADA EM 29.06.2018, ÀS 02H36

É com um misto de inconformismo e conservadorismo que chega aos cinemas Divergente, a adaptação ao cinema do primeiro romance da trilogia infanto-juvenil de Veronica Roth. Inconformismo porque a premissa incentiva a desobediência civil, como outro sucesso de ficção científica adolescente, Jogos Vorazes. E conservadorismo porque o recado implícito na aventura de Beatrice Prior (Shailene Woodley) lembra a mensagem do FBI nos videogames dos anos 90: "Vencedores não usam drogas".

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Evan Daugherty, novato que escreveu o roteiro de Branca de Neve e o Caçador, adaptou com Vanessa Taylor a trama futurista, sobre uma Chicago distópica na qual a sociedade é dividida entre cinco facções - Candor (os honestos), Abnegation (os altruístas), Dauntless (os corajosos), Amity (os pacíficos) e Erudite (os inteligentes). Ao completar 16 anos, jovens têm que decidir para qual das facções dedicarão os restos de suas vidas - e chegou a hora de Beatrice escolher. Acontece que ela descobre ser um tipo outro, raro, inclassificável e portanto perigoso: ela é uma Divergente.

Em resumo, Beatrice carrega consigo características de facções distintas, e o seu destino é um mundo de possibilidades - o que no futuro totalitarista do filme é visto como uma ameaça. Veronica Roth adapta para a fantasia, portanto, o mundo de escolhas que a maioria dos adolescentes enfrenta na realidade ao passar à vida adulta, e Divergente transcorre, em boa medida, como uma história de colegial americano, envernizando a obrigatória divisão de grupinhos no refeitório (nerds, atletas, patricinhas etc. aqui só mudam de nome), com direito a flertes entre um hamburguer e outro.

A desobediência não deixa de ser, então, algo que se espera de adolescentes, como qualquer rito de passagem. Best-seller entre os jovens, Divergente abraça de forma indolor e comportada (a única ruptura de fato na vida de Beatrice é também esperada e obrigatória, o adeus aos pais) a ideia de que o mundo é um lugar a ser fisicamente desbravado. Esportes radicais e jogos estão no centro dessa experiência no filme, e embora haja um senso mínimo de ameaça - mortes são consideravelmente mais chocantes em Jogos Vorazes - é inevitável ver a jornada da heroína neste filme como um passeio por um parque de diversões.

E dentro dessa leitura, mais perigosas do que a corporação que serve de vilão aqui - as fileiras inimigas estão cheias de escritórios clean e gente engravatada, esse pesadelo do "mundo dos adultos" - são as drogas que inibem o julgamento. Então não faltam soros e seringas com "drogas da obediência" - os trintões vão lembrar do livro de 1984 de Pedro Bandeira - ao longo do filme para demarcar essa posição moral. Divergente quer que os jovens aproveitem a vida, que saltem, corram e se apaixonem, mas com "responsabilidade".

Divergente | Cinemas e horários

Divergente
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Ano: 2013

País: EUA

Classificação: 14 anos

Duração: 139 min

Direção: Neil Burger

Roteiro: Evan Daugherty

Elenco: Shailene Woodley, Miles Teller, Theo James, Kate Winslet, Ray Stevenson, Maggie Q, Zoë Kravitz, Ansel Elgort, Jai Courtney, Ashley Judd, Tony Goldwyn, Mekhi Phifer, Ben Lloyd-Hughes, Ole Christian Madsen, Ben Lamb, Brandon Cyrus, Amy Newbold

Nota do Crítico
Regular

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