O Peso do Passado

Créditos da imagem: Annapurna Pictures/Divulgação

Filmes

Crítica

O Peso do Passado

Filme de Karyn Kusama usa visual de Nicole Kidman para criar filme policial e metafísico, mas não é nem um, nem outro

Natália Bridi
10.09.2018
08h35
Atualizada em
10.01.2019
19h42
Atualizada em 10.01.2019 às 19h42

"Como você envelheceu!", escuta Erin Bell ao visitar um velho conhecido durante uma investigação. Em 123 minutos esse parece ser o principal objetivo de Destroyer, mostrar o quanto Nicole Kidman se transformou para o papel.

A caracterização pretende exibir as marcas das dores e erros da policial, que há quase 20 anos carrega o trauma da época que passou infiltrada em uma gangue. Na prática, porém, torna a personagem caricata, como se Kidman estivesse usando uma fantasia de Charles Bronson para propriamente estrelar um filme policial. Essa sensação piora com as cenas de flashback, quando a atriz de 51 anos convence mais como uma mulher de 20 e poucos do que como uma senhora destruída pela vida.

O trajeto entre passado e presente também não funciona com outros personagens. Toby Kebbel, por exemplo, deveria ser o monstro do passado que voltou para aterrorizar Bell. O visual do vilão, porém, o torna ridículo, não aterrorizante. A opção por dar à percepção da policial um quê alucinógeno também não contribui para a narrativa. Se a intenção era criar uma relação com os efeitos das drogas usadas pela gangue, a mensagem foi enviada, mas não chega completa ao destinatário. Há muito artifício, pouco significado.

O erros de Destroyer se destacam ainda mais pela qualidade da atuação de Tatiana Maslany. Sua personagem é a única que transita bem entre a juventude e decadência, mostrando com uma abordagem mais simples poderia servir ao longa. A diretora Karyn Kusama ensaia criar um filme policial e metafísico, mas não é nem um, nem outro. Apesar da pele envelhecida, do cabelo desgrenhado, da voz rouca, das visões do passado, da relação problemática com a filha e do andar cambaleante, a investigação de Bell é desinteressante, assim como os seus traumas.

Nota do Crítico
Regular