Filmes

Crítica

Destroyer

Filme de Karyn Kusama usa visual de Nicole Kidman para criar filme policial e metafísico, mas não é nem um, nem outro

Natália Bridi
10.09.2018
08h35

"Como você envelheceu!", escuta Erin Bell ao visitar um velho conhecido durante uma investigação. Em 123 minutos esse parece ser o principal objetivo de Destroyer, mostrar o quanto Nicole Kidman se transformou para o papel.

Annapurna Pictures/Divulgação

A caracterização pretende exibir as marcas das dores e erros da policial, que há quase 20 anos carrega o trauma da época que passou infiltrada em uma gangue. Na prática, porém, torna a personagem caricata, como se Kidman estivesse usando uma fantasia de Charles Bronson para propriamente estrelar um filme policial. Essa sensação piora com as cenas de flashback, quando a atriz de 51 anos convence mais como uma mulher de 20 e poucos do que como uma senhora destruída pela vida.

O trajeto entre passado e presente também não funciona com outros personagens. Toby Kebbel, por exemplo, deveria ser o monstro do passado que voltou para aterrorizar Bell. O visual do vilão, porém, o torna ridículo, não aterrorizante. A opção por dar à percepção da policial um quê alucinógeno também não contribui para a narrativa. Se a intenção era criar uma relação com os efeitos das drogas usadas pela gangue, a mensagem foi enviada, mas não chega completa ao destinatário. Há muito artifício, pouco significado.

O erros de Destroyer se destacam ainda mais pela qualidade da atuação de Tatiana Maslany. Sua personagem é a única que transita bem entre a juventude e decadência, mostrando com uma abordagem mais simples poderia servir ao longa. A diretora Karyn Kusama ensaia criar um filme policial e metafísico, mas não é nem um, nem outro. Apesar da pele envelhecida, do cabelo desgrenhado, da voz rouca, das visões do passado, da relação problemática com a filha e do andar cambaleante, a investigação de Bell é desinteressante, assim como os seus traumas.




Nota do Crítico
Regular